Bispos santos!… Pediu e recomendou o Santo Padre aos bispos ordenados no último ano, reunidos a fazer o prescrito “curso” de aprofundamento da sua missão.
Bispos santos! Presbíteros santos, diáconos santos, leigos santos, casais santos, consagrados santos!… Todos somos chamados à santidade! Essa é a fundamental vocação dos cristãos. E só na medida dessa qualidade de vida é que a Igreja cumpre no mundo a sua missão de ser fermento, sal e luz.
Estamos num mundo de ciência avançadíssima, de tecnologia de ponta… e de monstruosidades no que respeita ao humanismo. Será que este desenvolvimento é o factor de tal desumanização? Será má a ciência e a tecnologia desfigura a humanidade?… Ou falta alguma coisa que envolva estas conquistas e as torne serviço claro da pessoa humana e de todas as pessoas humanas?…
A santidade não é ingenuidade, nem muito menos ignorância. Será, antes, o perfume divino, que transforma a ciência em sabedoria, que submete o uso das tecnologias em desenvolvimento dignificante.
No âmbito da Comunidade eclesial, como no seio da Sociedade, este é o ar fresco que transforma a vida em sabedoria, que potencia a ciência e amacia a tecnologia! A ciência, mesmo a ciência teológica, sem esta lufada de sobrenatural, poderá suportar estruturas descarnadas, mas não fecunda vidas! A tecnologia, sem o suporte de uma profunda consciência e respeito pela identidade da natureza, da pessoa humana, degrada o ambiente, escraviza a pessoa.
O Vaticano II insiste nos caminhos da santidade como a vivência do estatuto de vida assumido, na competência, na entrega, na busca da realização pessoal e na incessante entrega ao serviço do bem comum, na vivência da graça baptismal irradiando os valores do Evangelho, pelo testemunho de vida, e tomando a seu cargo ministérios ou serviços para que seja designado no seio da Igreja.
Num clima tão crispado como aquele que se vive neste momento no nosso País, quando se vendem soluções baratas e se multiplicam acusações fáceis, quando se proclamam futuros de sucesso, mas nos confrontamos com derrapagens educativas, recuos ou estagnações no desenvolvimento económico, desconfianças…, o apelo à santidade a todos quantos são sinceramente crentes, uma santidade vivida no lugar social, no compromisso político, no espaço profissional, no âmbito eclesial em que se move, é um dever dos pastores! Responder sem rodeios a esse apelo, em coerência permanente com os princípios professados, será um indiscutível contributo à mudança social esperada.
