Somos convidados para um banquete universal

À Luz da Palavra – XXVIII Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo apresenta-nos a imagem do “banquete” como símbolo da Aliança entre Deus e o seu povo. Através desta imagem, a Palavra descreve o mundo de felicidade, de amor, de alegria, de fraternidade, que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas. A própria Eucaristia foi instituída no interior de um banquete. À Eucaristia chamamos “sagrado banquete”.

Na primeira leitura, Isaías anuncia-nos o “banquete” que Deus vai oferecer a todos os povos. Aceitar o convite para participar neste banquete significa aceitar Deus na nossa vida e, como consequência viver em paz e alegria desde aqui e gozar da felicidade eterna a que somos chamados no fim da nossa vida sobre a terra. E esta felicidade que nos advém da participação no “banquete” celeste é oferecida a todos, mulheres e homens, pobres e ricos, cristãos e pagãos, pecadores e fiéis. É um banquete universal! Não há nenhuma condição humana, que nos possa impedir de ter acesso a este banquete, se nós quisermos. O convite ao banquete foi-nos dirigido no dia do nosso baptismo. Como tenho respondido a esta oferta do Pai? Vivo em comunhão com Ele?

No evangelho Mateus, através de uma parábola, retoma a imagem do “banquete”. Aqui percebemos melhor a universalidade do convite ao banquete, quer dizer, ao Reino de Deus, desde aqui e agora. Porém, somos advertidos de que precisamos de tomar a sério o convite de Deus e dar-lhe prioridade, pois nada nos deve distrair das exigências e compromissos que assumimos com o nosso baptismo. A última parte da parábola, no entanto, confunde-nos. “Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?” E, depois do homem ser castigado, o evangelista conclui: “Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Este incisivo é próprio de Mateus, e parece não ligar bem com a primeira parte da parábola. Contudo, esta interpelação quer realçar a importância das boas obras dos que são convidados, da justiça ou santidade, que simboliza a veste nupcial. O convite do Senhor é gratuito e exigente, ao mesmo tempo. Os frutos que eu produzo, frutos de pecado ou de vida, é que me qualificam, de modo a ser realmente chamado e escolhido, ao mesmo tempo. E, desde agora e aqui, onde vivo. Sou sério e coerente com a vida nova que Jesus me deu no meu baptismo?

Na segunda leitura, Paulo diz-nos que aprendeu a viver na pobreza e na abundância. Não são as coisas materiais, isto é, o ter muito ou pouco, que nos aproxima ou afasta de Deus. O essencial é a nada nos apegarmos, porque só o Senhor é a nossa segurança, só Ele é verdadeiramente rico e magnânimo para fazer face a todas as nossas necessidades. E, quantas vezes, estas são, sobretudo, de natureza espiritual e afectiva. Na minha vida dou prioridade à vida espiritual, de união a Deus e confio nele acima de tudo?

Leituras do XXVIII Domingo Comum: Is 25,6-10a; Sl 23 (22); Fl 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14

Deolinda Serralheiro