O artigo anterior abordou a competitividade egoísta, na caracterização do actual modelo económico. E aludiu à cooperação personalista, como alternativa recomendável para que as pessoas e instituições se complementem e respeitem mutuamente. São inúmeras as linhas de acção requeridas para que tal cooperação se torne efectiva; seleccionam-se aqui apenas três, por serem básicas e por não implicarem elevados custos financeiros. São elas: respeitar a empresa; desenvolver a acção social; e promover o desenvolvimento local. Neste artigo, aborda-se apenas a primeira.
Respeitar a empresa situa-se no coração da cooperação personalista, porque a empresa é um espaço fundamental de acção, tanto de empresários como de outros trabalhadores, e porque é a primeira fonte de rendimento para a generalidade das famílias; além disso, contribui para a realização das pessoas que aí trabalham. Respeitar a empresa implica, nomeadamente, o seu reconhecimento, a facilitação da sua actividade e, eventualmente, a prestação de alguns apoios.
Reconhecer a empresa significa, por exemplo: saber quantas existem; saber que a imensa maioria tem menos de dez trabalhadores; saber também que muitas são unidades, familiares ou não, de luta pela subsistência e que elevado número de empresários e de outros trabalhadores vivem na pobreza e na exclusão. Também faz parte do reconhecimento da empresa a consciência de que as de menor dimensão e de tecnologia mais retardada não podem ser condenadas, automaticamente, ao encerramento mas podem qualificar-se e desenvolver-se; a esta luz, torna-se imperioso que os estudantes e as escolas tomem consciência de que o progresso nos estudos não se deveria destinar a abandonar actividades e localidades mais retardadas, mas sim a contribuir para que elas se qualifiquem e desenvolvam, sem prejuízo das mudanças necessárias. Torna-se também necessário que a empresas, tal como elas existem, sejam objecto de estudo e de investigação.
Facilitar a vida das empresas significa, nomeadamente: simplificar e acelerar os licenciamentos necessários; adaptar a legislação e prever o seu cumprimento gradual, sem intransigências; eliminar a fiscalidade injusta; proporcionar espaços e ingra-estruturas; e evitar comportamentos persecutórios.
A questão relativa aos apoios a empresas já foi abordada nesta coluna mais do que uma vez. Deixa-se por ora apenas registado que a maioria dos apoios se tem destinado a algumas empresas e não à totalidade, com notório prejuízo para as de menor dimensão e maior fragilidade.
