Uma pedrada por semana Assim achou por bem fazer o Presidente da República. Deu ao país um testemunho de seriedade e de capacidade de se mover no campo estreito, que os interesses imediatos lhe impuseram e ainda o tornaram mais estreito. Há que estar preparado para tudo, neste tempo em que vale tudo, ou em que tudo vale nada.
Toda a gente atenta e livre viu que os partidos se moveram em função de si próprios e do seu futuro. A política partidária que o regime democrático propicia mata, por vezes, a democracia, porque é expressão de gente que não a conhece, não a respeita, não a serve a não ser em favor de si ou do seu clã. A tristeza é que todos vão caindo mais ou menos nisto. Pois se dentro não há senão “ânsia de mandar e a vã cobiça” que se pode esperar?
Caminhamos, a passos largos, por mau caminho, arrastados por gente que não nasceu nem é capaz de ser líder. Os cautos, deixam a caravana passar. Os que procuram tacho ou dar nas vistas do chefe seguem nos bicos dos pés, cegos e acríticos, por onde se ouve o barulho e o roçar dos donos e o toque das campainhas.
Quando já se tem, vende-se a alma para não se perder o conseguido. Bem de todos ou bem comum é paleio de utópicos que a política de interesses desconhece e deprecia.
Assim vemos os ambiciosos a comandar e os incapazes a deitar os foguetes do cortejo.
Bem pouco de sério e de digno prometerá o novo ano, sempre que Portugal for um feudo de alguns e não um país de pessoas livres, com direitos e deveres.
Os Açores dão o tom de alerta pela voz dos que deixaram de pensar e apenas estão atentos à batuta do maestro, que manda não desafinar. Não desafinar é sempre fácil para quem não abre a boca, a não ser para elogiar a quem se pretende agradar e para abocanhar o pedaço que não quer perder.
