Encontro Mundial de Famílias reafirma função social

Igreja mundial discutiu ataques legislativos e sublinha importância da família tradicional

O VI Encontro Mundial de Famílias encerrou no passado Domingo com a reafirmação da família e da função “social essencial” que desempenha. “A família tem direito a ser reconhecida na sua própria identidade e a não ser confundida com outras formas de convivência”, assinalou o Papa no final do encontro que juntou na cidade do México 30 cardeais, 200 sacerdotes e cerca de 8 mil leigos de 90 países.

Através de vídeo-conferência, Bento XVI sublinhou, na eucaristia de encerramento, presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone, legado pontifício no VI Encontro Mundial das Famílias, que a família deve “poder contar com a devida protecção cultural, jurídica, económica, social, de saúde e, muito particularmente, com um apoio que, tendo em conta o número dos filhos e os recursos económicos disponíveis, seja suficiente para permitir a liberdade de educação e de escolha da escola”.

Segundo Bento XVI, o tema deste VI Encontro Mundial das Famílias, «A família formadora dos valores humanos e cristãos», vem recordar que o ambiente doméstico é “uma escola de humanidade e de vida cristã para todos os seus membros, com consequências positivas para as pessoas, para a Igreja e para a sociedade”.

A família é o local “chamado a viver e cultivar o amor, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com os outros, especialmente com os mais débeis”, afirmou o Papa, acrescentando ser esta a “célula vital da sociedade”, muitas vezes “o último amparo às pessoas”. Bento XVI pediu, por isto, uma “cultura e uma política da família”, que as próprias famílias, organizadas em associações, hão-de impulsionar.

O VII Encontro Mundial de Famílias, em 2012, será em Milão, Itália, e vai centrar-se no tema «A família, o trabalho e a festa».

Legislação familiar em destaque

A legislação foi uma das áreas reflectidas no México. O Cardeal Javier Errázuriz, arcebispo de Santiago do Chile, lamentou que os governos latino-americanos não pensem na família quando legislam, nem “tenham nos seus Ministérios e Secretarias de Estado uma área destinada a estudar os impactos sobre a família de determinadas leis”.

O Cardeal Tarcisio Bertone afirmou que a humanidade é fundada na diferença sexual. “Na comunhão de vida que é o matrimónio, a diferença sexual entre o homem e a mulher e o chamado ao amor que Deus colocou nos seus corações, encontram a própria razão de ser”. O Cardeal sublinhou ainda que “agir pelo bem da família, nascida do matrimónio entre um homem e uma mulher, significa lutar pelo bem do ser humano e da sociedade”. Também o Cardeal Rodríguez Madariaga, ex-presidente do episcopado latino-americano, afirmou que “uma legislação não decide o que é um matrimónio”. “O criador desenhou homem e mulher para transmitir a vida. Quando os dois são do mesmo sexo, não pode haver fecundação”.

O arcebispo de Quebec, no Canadá, Marc Ouellet, reflectiu sobre “o matrimónio e a família que se transformaram num campo de batalha onde a secularização tenta ferir ambas as instituições”.

O responsável pela área de saúde do Vaticano, Cardeal Javier Lozano, afirmou que “os pais não podem renunciar à sua função essencial. Ter um filho não é procriar um filho, mas humanizá-lo”, argumentou, afirmando que a ausência dos pais na casa caminha paralela ao “descuido com os avós, que vêm sendo relegados como trastes velhos”.