Colaboração dos Leitores As coisas mais importantes e elementares da nossa vida não podem ser adquiridas, nem pagas, só nos podem ser doadas: o sol e a sua luz, o ar que respiramos, a água, a beleza da terra, o amor, a amizade e a própria vida. Não podemos com-prar todos estes bens essenciais e fulcrais, porque eles nos são doados. Existem também coisas que ninguém nos pode tirar, que nenhuma ditadura, nenhuma força destruidora, nos pode roubar. Ser amado por Deus, que em Cristo conhece e ama cada um de nós; ninguém no-lo pode tirar e, enquanto conservarmos, não seremos pobres mas ricos. Quem se sabe filho de Deus, não deve ter nenhum temor na sua vida. Deus conhece melhor do que nós as nossas necessidades reais, é mais forte do que nós e é nosso Pai!
Devemos fazer como aquele menino que no meio de uma tempestade no mar alto continuava a brincar, enquanto os marinheiros temiam pelas suas vidas; era o filho do timoneiro do barco. Quando, ao desembarcar, lhe perguntaram como tinha estado tão tranquilo no meio daquele mar embravecido, respondeu: “Ter medo? Mas se o leme estava nas mãos do meu pai!” Deus, um pai que conhece bem a rota que conduz ao porto seguro, toma nas mãos o leme da nossa vida.
Se recebemos de Deus dádivas tão grandes, por nossa vez temos o dever de doar: no âmbito espiritual, oferecendo bondade, amizade e amor, mas também no âmbito material o Evangelho fala da fracção do pão. Estas duas realidades devem hoje, penetrar na nossa alma: temos que ser pessoas que doam, porque somos pessoas que recebem; temos que transmitir aos outros o dom da bondade, do amor e da amizade, mas ao mesmo tempo a todos aqueles que podemos ajudar, temos que oferecer também dons materiais e assim procurar tornar a terra mais humana, ou seja, mais próxima de Deus.
Maria José Bastos
