“Ecologia antropológica”

“A pessoa humana primeiro”! Era este o mote de campanha de um movimento de apostolado de leigos, em anos muito próximos. Tratava-se de cumprir, ou contribuir para cumprir, um desígnio da Christifideles Laici de João Paulo II, onde se afirma que descobrir e ajudar a descobrir a dignidade da pessoa humana é núcleo da tarefa evangelizadora, sobretudo para os leigos.

Os esforços para preservar a qualidade do ar, para manter limpos os cursos de água, para zelar a qualidade dos alimentos… são altamente meritórios e os frutos do empenhamento de muita gente são já visíveis, sensíveis. Nunca será demasiado todo o esforço para repor a Natureza no seu curso normal, com benefícios inquestionáveis para a Humanidade. É fundamental reconciliar o Homem com a Natureza.

Parece, todavia, que é a Pessoa humana que existe em função da Natureza, quando, na realidade, é o inverso. O Mundo foi criado para serviço do Homem todo e de todos os homens. Os bens, do mar, da terra, do ar, foram criados para defender e promover o integral desenvolvimento da Pessoa.

É que, ao contrário da defesa da Natureza, a Pessoa é cada vez mais envolvida, interiormente, numa poluição densa, que não deixa prever preocupações, muito menos recuos. Os “donos” do mundo fabricam, continuamente, poluentes desintegradores do espírito, opressores – até ao esmagamento! – do coração humano.

Sonhos semeados de felicidades aniquiladoras, prazeres fáceis alienantes até ao extremo, narcóticos (em sentido real e em sentido figurado) destruidores de toda e qualquer possibilidade de definir um rumo e um pulso de timoneiro para o buscar afincadamente!… Ventos e tempestades de libertinagem, que resultam em furacões de violência, em mares encapelados de insegurança e desconfiança!

De que vale preservar a Natureza, se se desenha um caminho de regresso do Homem à selva, às cavernas da “antropofagia” – entenda-se, da deglutição sádica dos valores que identificam a mesma Pessoa humana?…

Há movimentos e grupos de resistência. E podem estar certos de que o seu trabalho resultará em vitória final! Mas não poderíamos todos, a começar pelos que têm poder de decisão, zelar essa atmosfera cultural e espiritual, que nos permitisse respirar de esperança, saborear a solidariedade, erguer os olhos em madrugadas de dias pressentidos de luz e calor inebriantes?…

Vamos criar uma corrente de “ecologia antropológica”, que faça renascer o gosto e o espaço para cada um viver a dignidade inerente à condição de Pessoa humana?… Eu alinho!…