A primeira (última) Comunhão

Colaboração dos Leitores Fiz a minha primeira Comunhão, que, graças a Deus, não foi a última, quando tinha dez anos. Eram os costumes da época. As coisas agora são diferentes e as crianças, obedecendo ao desejo já expresso pelo Santo Padre Pio X, comungam pela primeira vez aos sete/oito anos.

É sempre com grande emoção que assisto a uma cerimónia dessas, mas de cada vez me assalta a pergunta: para quantas destas crianças, esta é, ao mesmo tempo a primeira e a última Comunhão?

Lamentavelmente, assim acontece em muitos casos, pois que a preocupação de mandar os filhos à catequese para se prepararem para a primeira Comunhão, tem mais de social, mundano e para «fazer ver», do que abrirem as portas do coração das crianças ao Amigo que nunca atraiçoa – Jesus.

Quantas vezes, por um passeio, por uma festa banal, por um motivo fútil os pais deixam que os filhos faltem à catequese. É certo que a primeira catequese deve começar na família, no regaço da mãe ou nos braços fortes do pai, só que a paróquia também tem uma palavra a dizer e muito bem.

Aproxima-se o dia marcado para a cerimónia. O que absorve a atenção dos pais e por osmose a das crianças? O vestido, que tem de ser rico (e não está mal, porque para Nosso Senhor tudo é pouco), mas que não deve ser escolhido por ostentação e para fazer inveja à comadre. Depois a refeição que deve ser requintada (e não está mal, pelo mesmo motivo de há pouco), mas sem gastos exorbitantes, para que não se incuta nas crianças o gosto pelo gastar, só para fazer boa figura, numa altura em que tantas crianças no mundo e até entre nós, passam fome. A seguir vêm as prendas; não importa que sejam úteis, como bons livros ou estojos de escrita, que poupados duram uma vida. Não. O que interessa, para quem dá é que seja mais valioso do que os outros e daí uma enorme quantidade de presentes inúteis e pretensiosos.

Quanto à preparação remota para a primeira Comunhão, já dissemos algo. E a preparação próxima? Claro que não me refiro ao facto de levar a menina à cabeleireira para a pentear muito bem (continuo a não achar mal, pelo motivo já referido), ou o menino ao barbeiro para lhe fazer um corte de cabelo como deve ser.

A preparação próxima para a primeira Comunhão consiste essencialmente em não deixar a criança faltar à Confissão (para quê?, dirão alguns; tão pequenina, não tem pecados), para que se purifique completamente das suas faltas e comece a ter consciência que para se aproximar da sagrada Comunhão tem de estar em estado de graça, se não quiser cometer um sacrilégio; deve ir com recta intenção, coisa difícil de conseguir, sem culpa da criança, se à sua volta só se olha ao lado material; e por último deve estar em jejum, pelo menos uma hora (de sessenta minutos e não de cinquenta e quatro ou cinco…), antes de comungar.

E para terminar e não parecer este artigo um sermão escrito, vou contar-vos um caso verídico. Uma criança que ia fazer a sua primeira Comunhão, sabia que tinha de estar em jejum uma hora antes de comungar; assim a mãe foi encontrá-la a cuspir a cada momento, pois pensava que engolir a saliva quebrava o jejum.

Pais que me lerem e cujos filhos fizeram ou vão fazer a primeira Comunhão, peço-vos que, pelo amor dos vossos filhos, façais tudo o que estiver ao vosso alcance, para que a primeira Comunhão, não seja a última.

Maria Fernanda Barroca