Uma citação de um político romano pré-cristão, que já trouxe a estas páginas, continua a soar-me aos ouvidos como profecia para os nossos tempos de crise.
Entre outras coisas, diz que se dê pouco dinheiro aos governantes.
Poderíamos começar por aqui. Se os cargos públicos, todos, fossem justamente compensados, mas sem folias e labirintos intencionais, resultaria seguramente para o país uma enorme poupança.
O que acontece é que, provas dadas de incapacidade política são compensadas com salários fabulosos!… em empresas públicas, que é como quem diz, a comerem do erário que os nossos impostos amealham. E as benesses dos que estão em exercício vão desde as condições de opulência até às imunidades que proporcionam indevidas defesas da investigação.
Assim, não admira que se gerem amuos e querelas, quando se trata de constituir listas…, porque todos anseiam esses paraísos de abundância e facilidade! Onde estão os devotados servidores da res publica? Quem ousaria sugerir uma qualquer forma de voluntariado a esta causa?
Ao contrário, aqueles que, sem remunerações condignas, às vezes mesmo graciosamente, prestam serviços relevantes à causa pública, passam na vida, em geral, sem qualquer referência às obras realizadas em benefício do país.
Também é verdade, como dizia a profética citação, que é necessário ensinar o povo a trabalhar. É verdade! A exaltação do estado-providência gerou uma multidão de parasitas sociais, os quais, a coberto daqueles que, sem dúvidas, precisam do apoio social, se passeiam pelas avenidas da inutilidade, pelos antros do vício, pelas tertúlias da futilidade.
Importa que se faça substituir uma cultura de passividade, de oportunismo, de fraude, por uma cultura de iniciativa, de consciência de deveres, de verdade social.
Valeria a pena acrescentar que a única campanha possível, para qualquer lugar de poder, deveria ser o livro aberto da vida dos candidatos, onde os eleitores pudessem ler, sem equívocos, a matriz de valores que os identifica, o programa de intenções que daí possa decorrer.
Pena que, até nesse aspecto, sejam os dinheiros públicos a vender as mentiras eleitorais que cada um ou cada partido urde no segredo, mascarando depois, com um(a) promotor(a) de imagem, esses meandros latentes.
