À LUZ DA PALAVRA – XXX Domingo do Tempo Comum – A Amar como Deus ama, isto é viver o amor “agapé” é o convite que hoje nos é dirigido, através da liturgia deste Domingo. Deus ama com predilecção cada um dos seus filhos e filhas. Tendencialmente, dedica maior amor aos desprotegidos, que na Bíblica são identificados com os órfãos, viúvas, estrangeiros e pobres materialmente.
Na primeira leitura, o Senhor adverte-nos de que, apesar ser incondicional o amor, há no entanto, certa categoria de pessoas que, à partida, devemos amar. E, se o não fizermos, irritaremos o Senhor. Estas pessoas são o estrangeiro, o pobre, a viúva, aqueles que Deus mais protege, porque normalmente menos amados por nós. Todavia, é para os mais pobres e desprotegidos que o Espírito Santo nos impele ao amor, sendo esta uma prova de que Deus vive em nós e em nós é perfeito o seu amor. Porque, se só amamos os que nos amam e aquelas que nos podem retribuir com amor, que fazemos de especial?
No evangelho Mateus afirma: “Amarás o Senhor teu Deus e o próximo como a ti mesmo”. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas. Frequentes vezes, a Bíblia nos apresenta este duplo mandamento, como sendo o essencial do querer de Deus para nós, como exigência fundamental para se viver em aliança com Ele. Desta vez, à pergunta do doutor da Lei sobre qual é o maior mandamento, o Mestre amplia a resposta falando-lhe do primeiro e também do segundo, isto é do “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo teu espírito”, a não poder ser cumprido sem o seu complemento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, porque este é semelhante ao primeiro. Criados por Deus e para Deus, e dele dependentes em tudo, como o centro vital de onde nos vem todo o ser, existir e agir, estamos contaminados com profundas raízes malignas, que invertem esta ordem, que poderia ser natural, fazendo-nos rodopiar em volta de nós mesmos, quais narcisistas, que se comprazem na contemplação de si mesmos e da obra das suas mãos. Daí a necessidade de cultivarmos o hábito da leitura da palavra de Deus, feita oração e vida no quotidiano da nossa existência. Que valor dou eu à palavra que escuto e leio em cada domingo?
Paulo, na segunda leitura, elogia a comunidade de Tessalónica, por ter crescido na comunhão com o Pai, em Jesus Cristo, cumprindo o mandamento do amor pelo acolhimento a Deus e aos irmãos. É uma comunidade cristã modelo, que nos interpela a nós, hoje, que também integramos comunidades paroquiais e que formamos comunidades de trabalho. Que testemunho cristão damos nós aí? Que acolhimento fazemos às pessoas? Como lhes revelamos o amor com que Deus nos ama?
Leituras do XXX Domingo Comum: Ex 22,20-26; Sl 18,2-3.7.47.51 (17); 1 Tes 1,5c-10; Mt 22,34-40
Deolinda Serralheiro
