Baixar a fasquia?

1 – “Entrai pela porta estreita”… – diz o Senhor! Em verdade, o caminho largo da facilidade, sobretudo quando se torna facilitismo, não constrói pessoas, não molda cidadãos, muito menos forja cristãos de têmpera.

Os novos métodos, o novo impulso, a nova linguagem, seja na evangelização seja na educação, não podem significar abrandamento de exigência, perversão de princípios, baixar de fasquia. Com novas oportunidades, o nível deveria ser cada vez mais elevado.

Precisamos de quem esclareça a verdade. De facto, não é de um momento para o outro, de um ano para o outro, que se passa de um panorama escolar profundamente negativo a um quadro optimista de excelência. Então, como se explica a situação desta mudança nos resultados escolares?

O mais grave será enganarmo-nos a nós próprios, apresentando-nos ao mundo com uma competência que não temos, iludindo as esperanças dos jovens com “competências” oferecidas de bandeja, deixando-os à deriva no momento em que lhes sejam requeridas competências de verdade. Alguém mente! Que se desfaça, de forma rápida e cabal, o equívoco em que se coloca a opinião pública!

Como se compagina a exigência necessária com a perspectiva de eliminar as retenções no ensino obrigatório? Sem um caminho piloto, que garanta a existência e eficácia de alternativas válidas, não será um tiro no pé aplaudir freneticamente a decisão?

2 – Se vai tão bem a educação, por que motivo tantos professores/as, bem competentes, mas cansados/as de anarquia, de leviandades, apressam a sua retirada do sistema educativo? Se a descoberta do milénio – pasme-se! -, o célebre “magalhães” (é pequenino; só merece minúscula!) vem resolver os problemas educativos, por que motivo reclamam pais e professores sobre os duvidosos efeitos pedagógicos de tal descoberta? Alguém nos revelará os meandros dos interesses ocultos de tão grande êxito?

A autoridade do/a professor/a é elemento decisivo no processo educativo. Que medidas toma o ministério, para que ela se torne um facto, entre os educandos, na família, no ambiente social? O Ministério da Educação pretenderá dizer-nos que os professores não são parte da solução do défice educativo; serão, pelo contrário, uma grossa fatia do problema?

3 – A “escola completa” derrete completamente, numa elevada per-centagem de situações, a resistência dos mais pequenos, que chegam a casa, ou aos centros educativos que dão esse resto de apoio familiar, esgotados e impossíveis de conter. Onde está a envolvência das famílias, das forças vivas locais, na tarefa educativa? Caiu o preceito constitucional que veda ao Estado dirigir a Educação? Estamos a caminhar para uma absoluta hegemonia do sistema educativo estatal, negando o mais elementar direito de escolha de orientação educativa?

Muitas perguntas! Para todos procurarmos, sem medo, as respostas!