Em plena Semana dos Seminários (9 a 16 de Novembro) os alunos de Aveiro no Seminário Maior de Coimbra partilham com os leitores do Correio do Vouga uma reflexão sobre o «ser seminário»
1. Tempo para semear…
O Seminário é uma comunidade que brota todos os anos e que se constrói sob os princípios da vocação com que Cristo nos interpela e compromete. Somos as sementes que pelas suas mãos caem por terra para que se criem raízes em cada um. São as sementes que fazem do seminário o Seminário. São estas raízes que, crescendo, nos fazem ser um benigno homem e um cristão capaz.
Não pensamos ser privilegiados, mas chamados a viver em comunhão com Deus e com o mundo, porque vivemos de dentro para fora o que um dia [na missão confiada] seremos [e já somos] chamados a viver do coração à cruz [para que vejamos a luz].
Este tempo para semear é tempo para valorizar as dimensões espiritual, comunitária, intelectual, humana e pastoral que, pensadas conjuntamente, podem ajudar à nossa integridade em ordem ao presbiterado na Igreja, abandonando-nos a Cristo com tudo que somos.
2. Tempo para viver
Chamados a viver em comunidade, e acima de tudo em comunhão na convivência quotidiana, vivemos a experiência da oração comum; a partilha de objectivos e dificuldades com vista à maturidade humana; o trabalho da seara; e o serviço sincero ao povo de Deus [que, não mecanizado, vive-se intensamente].
Também pela meditação e acção da caridade pastoral, somos sementes para um tempo em que o despertar se torna amar, um tempo em que deveríamos viver na confiança e na responsabilidade, um tempo de serenidade e de liberdade construtiva. Um tempo para ser peregrino…
3. Tempo para estudar
…Despertar para as necessidades e exigências do mundo presente e actual, que interpretando se interroga cada vez mais, e não se satisfaz com simples respostas inconsistentes; também a formação filosófico-teológica (sempre contínua e para toda a vida) é essencial para que sejamos padres preparados para enfrentar. Enfrentar uma cultura, para falar ao povo, para ser mártir. Aprendemos [ou tenta-se] a situar-nos perante as ideologias e sistemas político-sociais da actualidade.
4. Tempo para rezar
Transfigurados pelo Espírito Santo, somos sementes que ganham vida porque envolvidos no dinamismo interior do Espírito de Deus. Nas águas que percorrem a seara, e nela se entranham, também assim é a experiência de Deus para com cada chamado. Somo-lo porque em relação com Deus, como Pai; com o Senhor Jesus, como Mestre; com o Espírito Santo, como Guia; com os outros, como irmãos, … Esta relação é vivida e reflectida porque nos abrimos [inteiramente] à Palavra de Deus pela oração pessoal e comunitária, ao compromisso de fé e livre discernimento da vocação, pela vivência de valores como a humil-dade, a simplicidade, o gosto pelo saber, a disponibilidade para escutar, sem medo deixar-se tocar e deixar-se interpelar, e por fim arriscar a partir em missão [abrindo portas] e a viver a missão presente [ser seminarista], convite de todos os dias na Eucaristia.
5. Tempo para ser
Estamos a “aprender a ser” e não a “aprender a fazer”; aprender a ser âncoras de esperança e a não ficar à deriva no mundo e para o mundo, mas sermos construção de um Seminário, que como casa e escola de comunhão se deve fortalecer todos os dias com as mesmas águas que fazem da semente fruto.
O seminário lança-nos o desafio de sermos âncoras de esperança para quem connosco caminha, e que deve ser para nós o rosto de Cristo, contemplado nesta fidelidade e atenção aos nossos irmãos.
Nesta Semana dos Seminários ajudem-nos pela oração, para que, ancorados pela força do Espírito Santo, nos mantenhamos fiéis e vigilantes no e ao amor de Cristo, para que digamos confiadamente a Ele: “Ajuda-nos, Senhor, a ser âncoras deste mundo, e esperança para quem espera e anseia viver em Ti.”
Os Seminaristas da Diocese de Aveiro, que se encontram no Seminário de Coimbra
