D. António Francisco pediu à comunidade cristã de Frossos que cultive os “talentos espirituais”, sem descurar os “talentos naturais” como a criatividade, a inteligência ou o trabalho.
Falando na Eucaristia que concluiu a visita pastoral a esta paróquia do arciprestado de Albergaria-a-Velha, o Bispo de Aveiro sublinhou que a parábola evangélica escutada no último Domingo convida a pôr a render os talentos espirituais, destacando o talento da fé, o da Palavra de Deus e o dos sacramentos. E exemplificou: A fé põe-se a render quando as catequistas educam as crianças, quando os pais dão testemunho aos filhos. Põe-se a Palavra de Deus a render quando se usa um bocado da tarde de repouso para ler a Bíblia, quando dela se retira um pensamento que dá “iluminação, coragem e horizonte de vida”, quando é lida ao final do dia. Põe-se o talento dos sacramentos a render não quando se procuram os sacramentos apenas em ocasiões especiais como a Comunhão, o Crisma ou o Casamento, mas se procura com frequência a Eucaristia ou se vive com alegria a vida familiar. “Desenvolvei e multiplicai os talentos”, concluiu.
Num dia em que se comemoravam os 75 anos da Acção Católica (AC) em Portugal, o Bispo de Aveiro serviu-se do método da AC (que estipula três momentos na abordagem da «cristã» realidade: ver, julgar ou – como prefere o Pastor – iluminar, e agir) para interpelar a comunidade cristã: “Vi a alegria de serem cristãos, encontrei-a nas escolas e nos idosos que visitei (…). Vi a comunhão entre todos. Encontrei grande vontade de trabalhar mais em Igreja. Mas o bispo não vem apenas para ver. Quer também iluminar, segundo os critérios do Espírito Santo. Convido-vos a iniciativas de formação. É necessário que percorram caminhos e iniciativas de formação. Convido-vos a momentos de oração. (…) Todos os caminhos [de Frossos] convergem para a igreja”. D. António Francisco notou a centralidade da igreja paroquial e sugeriu a criação de grupos de oração ou outros de espiritualidade mais interventiva como a LOC (Liga dos Operários Católicos), ou a ACR (Acção Católica Rural). Rematou a reflexão com um convite à comunhão com as outras paróquias e à criação de grupos de cariz social. “A visita pastoral é hora do agir”, disse. “Sinto que podeis criar grupos Cáritas e de visitadores de doentes. Como seria bela a vida da comunidade se todos estivéssemos mais perto dos que passam dificuldades”.
O Bispo de Aveiro considerou que a visita foi curta (boa parte da semana foi ocupada com os trabalhos da Conferência Episcopal, em Fátima), mas “vivida com intensidade e alegria”. Tendo referido que a freguesia tem pergaminhos históricos, uma vez que recebeu de D. Manuel I uma carta de foral em 1514, viu ser-lhe oferecida uma cópia do documento juntamente com uma caneta em prata. “Escreva sempre palavras nobres de Bom Pastor”, sugeriu um leigo da comunidade de Frossos.
J.P.F.
Compromisso
com os idosos
P.e Querubim Silva, pároco de Frossos (a paróquia integra a unidade pastoral de Albergaria-a-Velha) com P.e Manuel Dinis e a colaboração do diácono permanente Reinaldo Barnabé, agradeceu o “dom do bispo”, “muito próximo”, “verdadeiro reflexo do rosto humano de Deus”. D. António Francisco “procurou conhecer quem somos, o que temos feito e o que tem falhado”, disse.
Considerando a visita como oportunidade de “consolidar a fé” e “espevitar a caridade”, P.e Querubim notou que, na paróquia, a caridade “tem algumas carências, sobretudo no apoio aos mais idosos” e sugeriu: “Queiramos assumir este compromisso, a organização de um serviço mais eficiente para todos os que precisarem, especialmente os idosos”.
