Reerguer-se na esperança!

A manifestação progressiva de Deus na História da Humanidade, mediada no tempo pela relação expressa com o Povo Hebreu, desenrolou-se numa tensão permanente entre a expectativa da promessa e a contemplação da memória da realidade. Fazer memória do passado era alento para construir o presente e acreditar no futuro.

Estamos a retomar o ciclo litúrgico que nos coloca nessa perspectiva. Na verdade, o Advento já não é a ansiedade perante a escuridão do enigma do que há-de vir. É a contemplação agradecida do passado de promessas concretizadas, que transforma cada presente, que consolida a certeza de um amanhã promissor.

Em época de tantas desilusões, de tantas dores sofridas pelos projectos truncados, pelas vidas inacabadas, de tanto cáos e insegurança, os cristãos têm redobrados motivos para se reerguerem em sonhos de futuro, para se lançarem em iniciativas de transformação da vida, para darem as mãos e rasgarem as nuvens do pessimismo.

“Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o Vosso nome”. A primordial confissão de reconhecer Deus como Pai, Pai e Mãe, o Amor por excelência, que a todos conhece, que com todos lida pelo nome, fundamenta uma confiança segura e ilimitada. A certeza de que Ele é o único Redentor, o único Libertador, acima de todos os sistemas e propostas, motor de busca incessante de novas formas de caminho para a Liberdade, galvaniza os corações mais abatidos, os ânimos mais abalados.

É que, olhando para a História, facilmente descobrimos que “Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus (…) fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam”. Isaías povoa o Mundo desta certeza, a todos nós lança esse desafio: somos o barro de que o Pai é o Oleiro; colocarmo-nos nas Suas mãos é criar as condições para que a obra saia perfeita e de inigualável beleza.

Já não ecoa anónima a Palavra sobre um Mundo distorcido e caótico. Ela tornou-se Rosto no Menino que nos é dado. Ela fez-se Casa de acolhimento e vivência de comunhão, experiência palpável do calor fraterno. Ela desenha-se como Caminho, sinalizado, iluminado, de crescimento pessoal e comunitário, plasmando os novos Céus e a nova Terra.

Na humildade da simpatia plena, da compaixão e empatia total da Palavra feita carne com a Humanidade, sobram-nos agora mais do que razões para experimentarmos, consolidarmos, comunicarmos a certeza da salvação operada – fonte de toda a esperança! Mais do que as luzes que dissipem as trevas de ruelas e avenidas, o Natal acende no coração dos crentes a Luz que desenha os caminhos de felicidade, que manifesta os sorrisos de verdadeiro contentamento.