À Luz da Palavra – III Domingo do Advento – Ano B Estamos no coração do Advento e, neste terceiro domingo, a que chamamos “Gaudete” ou Domingo da Alegria, os textos da liturgia vão sublinhar especialmente essa temática.
O profeta Isaías anuncia-nos a experiência exultante da cidade restaurada, renovada pelo seu Deus. Este Deus, que se revela como Salvador universal, traz o gozo a Jerusalém e a alegria ao seu povo. Sabemos que “a boca fala daquilo que o coração está cheio” (cf. Mt 12, 34). Por isso, na primeira leitura, Jerusalém canta: “Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes de salvação” (Is 61, 10).
Este cântico de júbilo convida-nos a descobrir na história – na pessoal e na universal – os sinais de esperança, as promessas cumpridas, o Deus Salvador presente e actuante. Profetas de desgraças sempre os encontraremos, mas nós, cristãos, somos desafiados a ser profetas de “graças”, profetas da graça de Deus derramada na história. Por isso, pelo menos hoje, desviemos o nosso olhar do mal e olhemos o bem semeado nas nossas ruas e praças: a criatividade, em função do bem, que os jovens são capazes de produzir; a solidariedade que já se vive entre vizinhos. Escutemos as histórias edificantes guardadas na memória dos mais velhos. E que as nossas “coscuvilhices” se refiram antes às pequenas heroicidades e às entregas generosas daqueles com quem convivemos todos os dias. Assim, contribuiremos com o Senhor, que fará com que as sementes do bem germinem e que brote o jardim da justiça (cf. Is 61, 11).
Para sermos esses comunicadores de alegria e esperança, precisamos de ser formados na escola da oração. É isso o que nos diz a segunda leitura. Paulo convida a comunidade de Tessalónica a “viver sempre alegres” e imediatamente diz qual é o segredo da alegria: “orai sem cessar”. Isso porque, sem oração, “apagais o Espírito” e sem Espírito não há luz para ver a luz. Apenas deixando espaço e tempo ao Espírito para que Ele nos ajude a analisar a realidade, podemos fazer aquilo a que Paulo nos exorta: “Avaliai tudo, conservando o que for bom”. Somente se pode estar alegres quando, analisando tudo, descobrimos e conservamos o que é bom, verdadeiro e autenticamente belo, o que é de Deus no meio de “toda a espécie de mal”.
O Evangelho, ainda que não nos fale directamente sobre a alegria, deixa-nos intuir que a fonte do verdadeiro gozo está muito perto, está a ponto de manifestar-se. Assim sendo, João Baptista tem a missão de “preparar o caminho”. Ele não é a luz, não é o Messias; ele é “a voz do que clama no deserto” (Jo 1, 23). O anúncio da vinda do Salvador cria um clima de alegria e esperança; cria a expectativa de que algo novo e surpreendente vai acontecer, de que alguém vai abrir caminhos transitáveis no meio do deserto, no meio da aridez de uma vida sem sentido, no meio do sofrimento e de “toda a espécie de mal”. Portanto, João é o profeta que anuncia uma grande alegria para todo o povo. Os cristãos estão chamados a serem também profetas de gozo. Numa sociedade em que parece que só se vendem as más notícias, nós temos uma “boa notícia” para comunicar, a boa notícia que todos esperam: o Salvador já está no meio da nossa cidade, ainda que seja “Alguém que não conheceis” (Jo 1, 26). Por isso, anunciaremos a todos que o Senhor da Vida já está entre nós, e o faremos através da nossa positividade diante das adversidades e frustrações, da nossa perseverança quando tudo se desmorona, dos nossos rostos alegres, do nosso sentido de humor, da nossa atitude contínua de agradecimento. Assim, como diz João Baptista no seu último testemunho, estaremos alegres porque participamos na sua festa e escutamos “a sua voz” (cf. Jo 3, 29).
Leituras: Is 61, 1-2a.10-11; (Sal) Lc 1, 46-50.53-54; 1Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28
Estrella Rodriguez
Fraternidade Missionária Verbum Dei
