“Sabemo-nos todos necessários; sintamo-nos todos envolvidos”, pede o Bispo de Aveiro

Igreja diocesana, à volta do seu bispo, iniciou o percurso que conduzirá ao Jubileu dos 75 anos da Diocese de Aveiro

De Avanca a Vila Nova de Monsarros, de Dornelas à Gafanha da Boa Hora, um pouco de todas as paróquias, os cristãos aveirenses con-fluíram no dia 8 de Dezembro para a Sé de Aveiro. Celebrou-se o arranque da primeira etapa do Plano Pastoral Diocesano, um projecto de renovação que culminará no ano jubilar, quando a Diocese completar 75 anos de restaurada, no dia 11 de Dezembro de 2013.

Pretende-se que o percurso dos próximos cinco anos seja principalmente de renovação.

Na homilia, D. António Francisco, que nesse dia completava dois anos de Bispo de Aveiro e 36 de ordenação de padre, pediu a cada comunidade “que se deixe renovar pelo amor”. À Diocese, no seu conjunto, afirmou: “Faz-te ao largo, levando sempre desenhado nas velas o barco o rosto de Cristo (…). Não tenhas medo. Aveiro, convoco-te para a missão, para acolher o amor de Deus, para seres sinal de esperança”.

E apontou alguns âmbitos da renovação: o amor pelos mais pobres, a família, as vocações, a Igreja aberta aos jovens, aos idosos, aos doentes, aos emigrantes…

O Bispo de Aveiro apontou as prioridades do próximo ano: “Revitalizar a dimensão caritativa”, dando visibilidade às iniciativas e elaborando um plano sócio-caritativo; e valorizar o arciprestado como “instância de renovação pastoral e de comunhão entre padres, religiosos e leigos, “nunca esquecendo a prioridade às vocações”. “Sabemo-nos todos necessários; sintamo-nos todos envolvidos”, rematou o Bispo de Aveiro.

Antes da celebração, representantes dos arciprestados partilharam sobre a concretização local do Plano.

Leigos e padres planeiam acções arciprestais

Em sessão que antecedeu a celebração na Sé, representantes deram a conhecer as preocupações, projectos e lemas dos dez arciprestados. Em todos eles houve reuniões de agentes de pastoral que partilharam a debateram as linhas de programação propostas.

De Águeda chegaram ecos sérios da crise económica. Se é verdade que “nem todos os dias há empresas a fechar”, há, na realidade “muitas com a promessa de fechar muito em breve”, disse o representante. O arciprestado quer “partilhar os recursos existentes” e criar “redes de ministros” e de intercâmbios das capacidades das diversas instituições particulares de solidariedade social.

Albergaria recordou que já trabalhou bem no registo arciprestal, pelo que deseja retomar esse ritmo. Por outro lado, aposta na valorização das dinâmicas sócio-caritativas.

Anadia promete fazer um levantamento, por paróquia, e dar resposta às situações de carência. O arciprestado quer ainda revitalizar a pastoral da saúde e a das vocações, fomentando o diaconado permanente e a vivência da Semana dos Seminários e do Dia de Oração pelos Sacerdotes.

Aveiro quer viver esta “hora de renovação” “ressuscitando a equipa de arciprestal de pastoral”, mas abandonando o “activismo pastoral que cansa”. No campo social, quer levar até ao fim o inquérito à pastoral sócio-caritativa.

Estarreja e Murtosa, dois arciprestados que têm caminhado a par, programaram sete encontros sobre São Paulo (no âmbito do Ano Paulino) e vão enviar a todas as famílias as grandes linhas do Plano Pastoral da Diocese. Por outro lado, têm prevista formação para as pessoas que trabalham na área da pastoral social.

Ílhavo aprovou um plano arciprestal que prevê acções de formação sobre Doutrina Social da Igreja, formação para os conselhos pastorais e económicos paroquiais, caminhada quaresmal e Dia de Corpo de Deus em conjunto. Os padres do arciprestado querem solidificar a comunhão sacerdotal.

Oliveira do Bairro quer dotar todas as paróquias de grupos Cáritas ou de Vicentinos, renova a aposta nas escolas arciprestais de leigos (em colaboração do o ISCRA) e deseja criar em cada paróquia um CAE, isto é, Centro de Acolhimento Espiritual, um espaço que onde se possa encontrar apoio jurídico, social e espiritual.

Sever do Vouga afirmou que, entre “o peso esmagador de algumas tradições, às quais falta o sentido evangélico”, quer promover o “encontro de vontades, a começar pelos presbíteros”, quer que a “fé militante” tenha consequências numa “acção coerente”. O arciprestado aproveitará a visita pastoral do Bispo de Aveiro para se dinamizar. Prevê criar a equipa pastoral arciprestal e conselhos pastorais e grupos sócio-caritativos em todas as paróquias.

Vagos vive o ano pastoral “com grande dose de esperança”. Reconhecendo que em alguns sectores já se assume a dinâmica arciprestal (na preparação dos noivos para o casamento, p.ex.), espera reforçar e implementar novas dinâmicas na formação de leitores, no atendimento aos mais jovens e na organização da catequese. Para já, estão previstas catequeses paulinas.