Uma Pedrada por Semana Ouvi há dias o Primeiro-Ministro como orador inflamado, dizer, a propósito de uma nova auto estrada no Nordeste, que em Portugal todos são iguais e que todos devem encontrar iguais oportunidades. Não percebi se falava de um desejo ou se queria dizer que já assim era.
As coisas não vão fáceis nem para os cidadãos, nem para os governantes, e não é sempre por culpa ou omissão destes. A todos nós sobram palavras e escasseiam actos consequentes.
Os princípios “Todos iguais, todos com as mesmas oportunidades” recordam-se para acordar responsabilidades e mover vontades, não substituem o pão de cada dia ou as condições necessárias para viver com dignidade. E sabemos que, a nível de crianças, idosos, gente que trabalha, gente que não tem trabalho, salários e muito mais, abundam as diferenças e estão longe as mesmas oportunidades…
Dizê-lo sem atirar pedras, mas também sem medo de represálias de quem tem mais dinheiro ou mais poder, é um dever grave. Muitos males persistem e não se resolvem nunca, porque muitos cidadãos se acomodam e se omitem, atiram tudo para os poderes públicos, sem tomarem consciência de que cada um tem a sua parte na solução dos problemas e ninguém dispensa ninguém de agir consequentemente. As omissões geram omissões e aumentam a sua dimensão.
Não somos, nem de longe, um país onde a igualdade dos cidadãos é real e onde as oportunidades de todos são iguais. É preciso tomar consciência disso e não se ficar por aí. Já estamos no Natal. São para todos iguais os gestos de amor? Não há muitos filhos a passear que deixam os pais a chorar? Não há gente de autoridade, civil ou religiosa, a presidir a festas ficando fora delas, ou passando apenas por lá, como se amor ou serviço aos outros fosse apenas ornato festivo para que conste…
António Marcelino
