Simpósio Europeu de Biologia Marinha A Universidade de Aveiro acolheu, na passada semana, mais um encontro científico de nível mundial, em que participaram alguns dos mais reputados investigadores de todo o mundo, que se dedicam ao estudo da biologia marinha.
Ao longo de uma semana, cerca de três centenas de cientistas, vindos de trinta países, participaram no 38º Simpósio Europeu de Biologia Marinha, numa iniciativa promovida por docentes do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. O evento foi constituído por cinco conferências plenárias e por cerca de noventa comunicações, nas quais foram debatidos os mais diversos temas relacionados com a vida no mar, desde a sua origem até à actualidade, passando pelo aquecimento global e suas implicações nesse meio, pela poluição e depredação dos recursos marinhos.
Para John Gray, professor no departamento de biologia da Uni-versidade de Oslo (Noruega), o que mais afecta a biodiversidade marinha ainda é a pesca industrial e não a poluição, e isso apesar dos mares serem atingidos pelos mais diversificados agentes poluentes, com especial destaque para os de origem química. Este investigador norueguês mostra-se bastante preocupado com as consequências devastadoras da actividade pesqueira na biodiversidade marinha, sobretudo da pesca de arrasto que destrói os ecossistemas nos leitos do mar, bem como os graves efeitos das redes de emalhar abandonadas pelas embarcações e que durante séculos ficam nos mares a matar tudo o que nelas se emalha.
Por usa vez, Robert Whitlatch, investigador do Departamento de Ciências Marinhas da Universidade de Connecticut (Estados Unidos da América), acentuou o impacto negativo que irá ocorrer na biodiversidade costeira, como consequência da conjugação do aquecimento global (com a inerente subida do nível médio das águas do mar) e da intensa pressão humana (com a consequente pressão imobiliária) nas zonas litorais, de que resulta um agravamento da erosão costeira e a colonização dessas zonas por espécies invasoras, em detrimento das espécies nativas.
Este simpósio europeu de biologia marinha teve precisamente por título “Biologia Marinha” e dividiu-se em subtemas: “Padrões e processos”, “Métodos de avaliação” e “Ameaças, conservação e gestão”, abarcando áreas como a “influência das alterações dos padrões de biodiversidade no funcionamento dos ecossistemas, as formas de medir a biodiversidade a várias escalas espaciais, o efeito das espécies invasoras e das alterações climáticas nos ecossistemas locais e as ferramentas disponíveis para a conservação da biodiversidade nos oceanos”.
Durão Barroso defende ciência e ética
com equilíbrio
O primeiro-ministro Durão Barroso deu posse a 21 novos membros do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), organismo a quem são pedidos pareceres relacionados com a Bioética. Entre os novos membros daquele Conselho Nacional, encontra-se o Prof. Daniel Serrão, membro da Academia Pontifícia para a Vida. Esta cerimónia veio pôr fim a uma inactividade de dois anos, período de tempo em que foram inúmeros os avanços nesta área.
Como faz parte do seu estatuto, a renovada CNECV deverá preparar-se para se pronunciar sobre a posição a tomar pelo Governo, em especial no que toca à reprodução medicamente assistida e ao uso de embriões na investigação. Nessa linha, esperam-se em breve diplomas legais relativos a esses temas, sendo certo que os pareceres deste conselho, embora não sendo vinculativos, têm de ser apresentados, para que as leis possam ter validade.
Durão Barroso lembrou ao PÚBLICO, a propósito destas matérias, que é chegada a hora de legislar. “Não devemos atrasar mais a lei sobre a reprodução medicamente assistida e sobre a defesa do embrião humano. O Governo tomará as medias necessárias para colmatar as graves lacunas nesta matéria”, disse o primeiro-ministro. “Uns querem, em nome da ciência, tudo permitir; outros, em nome da ética, querem tudo proibir. Há que encontrar um equilíbrio”, afirmou o chefe do Governo, tendo ainda lembrado os compromissos do seu programa relativos à defesa da vida humana e ao direito à maternidade e à paternidade.
Paula Martinho da Silva, nova presidente do Conselho de Bioética, disse àquele diário que, apesar do interregno de quase dois anos, sem que os novos membros fossem empossados, não parou a necessidade de emitir pareceres sobre os aspectos bioéticos da ciência. “Decerto que existem pedidos de parecer aos quais teremos de responder”, referiu.
Luís Archer, jesuíta e biólogo precursor da genética no nosso País, reconheceu a importância do CNECV ter sido amplamente renovado, tendo adiantado ao PÚBLICO o facto de os desafios que esperam a nova equipa não serem propriamente novos. No entanto, reconheceu que alguns temas tomaram proporções muito graves. “Creio que os desafios são os mesmos, mas em alguns pontos estão mais agudizados, como, por exemplo, no que toca à clonagem e à reprodução medicamente assistida”, sublinhou o antigo presidente do Conselho de Bioética.
