O céu da Educação continua a cobrir-se de densas nuvens. Se há uma ministra que persiste, de forma obstinada, no seu programa, respeitável mas controverso, há, do outro lado, uma multidão de professores que, com muitas razões embora, parece também não encontrar o discernimento para perceber que a sua missão é nobre mas difícil, que a sua razão de existir não é o próprio benefício, mas o bem dos alunos e o futuro do país.
É evidente que, ante a omissão ou as dificuldades das famílias, numa atmosfera social de libertinagem e anomia, face a uma comunicação social mais vezes destruidora do que parceira da Educação, a realidade quotidiana dos professores é marcada pelo estigma do sofrimento.
Hoje, é para eles, para os sacrificados agentes educativos das nossas escolas, que me ocorrem as palavras de Rubem Alves: “O sofrimento de ser um professor é semelhante ao sofrimento das dores de parto; a mãe aceita-o e logo se esquece dele, pela alegria de dar à luz um filho”.
E, procurando corroborar as suas convicções, encontra em Nietzsche – quem diria?!… – caução para o que afirmara: “Pois que coisa mais deliciosa haverá que tornar sensível a beleza? Mas esta felicidade suprema é ultrapassada pela felicidade de gerar um filho ou de educar uma pessoa”.
Essa é a questão. Quem abraça a missão de educar – e, nos nossos dias, ser professor é mais do que ser mediador de transmissão de conhecimentos – assume a tarefa árdua mas gratificante de colaborar na construção de pessoas. Esse é um caminho de arte, de dedicação, de verdadeiro amor; logo, de sofrimento! Não compadece com uma atitude de mercenário!
