Acontece a cada início de ano um fórum social. Este ano é em Belém, no próximo fim-de-semana. Belém do Pará na Amazónia, num tempo em que várias Beléns podiam acolher um fórum social.
Belém na Palestina tem urgência de marcar um novo nascimento, um novo amanhecer, que marque caminho para a nova Jerusalém, um mundo de paz em que saibamos coexis-
tir com diferentes interesses, com diferentes tipos de interesses e diferentes crenças.
Gosto de ver a minha Igreja a tomar a dianteira do Fórum de Belém (Amazónia), a ser estandarte de um mundo melhor, uma Igreja que não se fecha na igreja, um Igreja que não se ocupa a evangelizar evangelizados, mas evangelizar quem precisa, a espalhar a boa mensagem! Gosto muito de ver uma Igreja de presença activa, actuante na História, congratulando-se numa socieade plural e laica, mas denunciando uma sociedade laicista que ataca tudo o que seja valor, cultura, identidade colectiva com a desculpa da sensibilidade ofendida de quem pensa diferente. Mas infelizmente, às vezes temos de olhar para longe para ver uma Igreja assim.
A diversidade é riqueza e unir não é a mesma coisa que unificar.
A brincar digo às vezes que falta uma parte no Evangelho. “Quando vos baterem numa face, ofereçam a outra”… mas não sejam parvos!
Muitas vezes ficamos parvos: quantas vezes me envergo-nho de ser estandarte daquilo e Daquele em que acredito? Quantas vezes nos ficamos a lamentar dentro das nossas Igrejas tendencialmente frias e escuras do mal que nos fazem? Quantas vezes nos demitimos do nosso papel de cidadãos, de crentes (seja lá qual for a crença!)? Quantas vezes as nossas preocupações não são apenas agendas de reuniões, posturas hierárquicas, prisão a costumes antigos e obsoletos que só nos isolam numa visão de Deus-cinzento-masculino-e-castigador em vez do Deus-Amor-Família-Comunhão?
Mas… quantas vezes não estamos na linha da frente no tabalho de capacitação das sociedades, dos que sofrem a pobreza? Quantos serviços missionários, humanitários, educativos e sociais a Igreja gere num trabalho incansável?
O fórum de Belém é-me sinal de esperança de que acreditamos como comunidade no bem comum, na prosperidade, na paz, na luta contra a pobreza! O fórum de Belém dá-me a esperança de que aquele grupo de sonhadores incorrigíveis fundados pelo Messias sabe que o legado Dele é o restauro de uma nova Jerusalém, que nada é mais do que um novo mundo, onde a cada novo amanhecer se renove uma fé intemporal na humanidade e na sua capacidade de sonhar e operacionalizar, de se reinventar e libertar de modelos económicos, sociais, hierárquicos que diminuam algum ser humano que é meu e seu irmão. Porque se o meu irmão estiver mal, eu estou mal. E a felicidade é o caminho que se faz de rosto erguido, não ligando a vitórias nem derrotas, falhando e entendendo os falhanços dos outros, mas sempre, sempre a caminhar com o olhar no céu!
Declaração de independência dependente
Em breve, uma voluntária partirá por um ano em trabalho missionário para a Amazónia. Depois de três anos de trabalho cá, uma experiência “ad gentes”. Partilhava comigo que lhe perguntaram há dias, se partia pelo Secretariado das Missões – Diocese ou pela ORBIS. Respondeu que pelos dois, porque os dois são um e o mesmo.
Com efeito a ORBIS nada mais é que uma das muitas respostas da Igreja a problemas concretos que o mundo enfrenta (como a OIKOS, a Cáritas, e tantas que marcam presença em Belém). É expressão de fé, de acolhimento personalizada na acção com e a todos quanto quiserem colaborar no mesmo sentido humanitário, num mesmo princípios de capacitação e cooperação para o desenvolvimento, seja lá qual for a sua raça, religião ou nacionalidade. Possui mecanismos que garantam que seja sempre isto para o qual foi criada e não outra coisa, nos seus estatutos e princípios que a consagraram com existência. Trabalha com todos os que tiverem boa vontade e sintonia de causa, em ecumenismo durante todo o ano, todos os dias apostando na envolvência de pessoas comuns que unidas, fazem a diferença! A melhor atitude é mesmo essa, sacudir o pó dos ombros, arregaçar as mangas e vir ajudar a mudar o mundo.
