A conversão a risto é o caminho que leva à unidade

Ortodoxos, metodistas e católicos. Numa palavra: cristãos. Rezaram pela unidade na noite do dia 20 de Janeiro É um gesto que se repete todos os anos, sem grandes progressos para a unidade desejada, mas com o sentimento gratificante de que é bom católicos, ortodoxos e metodistas conhecerem-se. E sem conhecimento mútuo é que nenhuma união será possível. E já é mais o que une do que o que separa. Todos são cristãos. Todos têm o centro em Cristo.

Na noite do dia 20 de Janeiro, na Sé de Aveiro, as três confissões cristãs juntaram-se para rezar pela unidade. Na presidência, D. António Francisco, Bispo de Aveiro, padre Filipe e diácono Higor, ministros ortodoxos, e Eduardo Conde, pastor metodista.

Eduardo Conde realçou o carácter genético do apelo à unidade. “Não é exterior, mas está no DNA da Igreja”, disse. E sublinhou o cristocentrismo do diálogo ecuménico: “A unidade constrói-se encarnando Cristo. Só é possível quando nos concentramos na pessoa de Jesus, independentemente das nossas teologias e construções doutrinárias”. O conhecimento de Cristo, se é a essência do ser cristão, é claramente o fundamento da unidade. E como se consegue? O pastor metodista relatou o exemplo de uma cantora lírica famosa que dizia que conhecia determinada peça musical porque tinha sido escrita para ela. E adaptou o exemplo: “Se eu conheço Cristo? Cristo veio para mim. Aconteceu por mim e para mim. Ele morreu por minha causa”.

D. António Francisco afirmou que “o caminho da unidade é um caminho de conversão” e lembrou o exemplo do profeta Ezequiel, que, apesar de ter “razões para o desespero”, faz sobressair “o amor pelo seu povo”. Foi do escrito deste profeta que se retirou a frase que deu o tom à semana de oração pela unidade, de 18 a 25 de Janeiro: “Serão um, em tuas mãos” (Ez 37,19). Ezequiel viveu no exílio de Israel na Babilónia. A distância em relação à Terra Prometida e a divisão de famílias, entre os que ficaram na Palestina e os que foram deportados para o exílio, de algum modo se assemelha à divisão das Coreias (do Norte e do Sul). O guião da celebração deste ano foi preparado pelos cristãos coreanos.

Ao terminar as suas breves palavras, o Bispo de Aveiro rezou: “Abençoa a nossa cidade, transforma-a em lugar de unidade e de paz, de encontro e de comunhão. Amen”.

Os ministros ortodoxos não usaram da palavra. O “tom” ortodoxo da celebração foi dado por dois cânticos que poucos perceberam, porque foram cantados em ucraniano, mas cuja beleza todos puderam apreciar.

Após a celebração, como tem sido hábito nestes encontros, as três confissões partilharam um chá e uns bolos no Salão D. João Evangelista.

J.P.F.