Na peregrinação nacional do Ano Paulino, em Fátima, o bispo sírio afirmou que os cristãos caldeus estão ameaçados no Iraque e pediu para que todos se deixem alcançar pela graça da conversão
Milhares de pessoas desafiaram a chuva e marcaram presença este Domingo em Fátima, para a celebração nacional do Ano Paulino. O Santuário recebeu fiéis vindos das diversas dioceses, paróquias, movimentos e outros grupos e comunidades cristãs, para dois dias de celebração
O momento mais alto foi a Missa presidida por D. Antoine Audo, Bispo de Alepo para os Caldeus, Síria, que se tem des-tacado no diálogo com o Islão.
D. Antoine Audo referiu na homilia que, no Médio Oriente, os cristãos vivem lado a lado com os muçulmanos, em diferentes países dilacerados por guerras: “Israel e Palestina; Iraque ensanguentado por conflitos étnicos e religiosos e onde os cristãos, nomeadamente da Igreja dos Caldeus, estão ameaçados de desaparecer; enfim, o Líbano, assediado entre guerra e lutando pela paz”. “Sim – declarou o prelado –, nestas terras bíblicas das origens cristãs da nossa fé, os cristãos do Médio Oriente querem ler a experiência da conversão de São Paulo, neste ano jubilar, como um grito de esperança lançado a toda a Igreja”.
Como o encontro de Paulo com Cristo, no caminho de Damasco – capital da Síria – transformou o perseguidor em apóstolo, D. Antoine Audo pediu para que todos se deixem “alcançar por esta graça da conversão”. “Com Paulo e todos aqueles que se deixaram agarrar pela graça do Evangelho, – e são tão numerosos! – façamos a releitura das nossas próprias conversões pedindo que elas se tornem sinais do amor de Deus por cada um de nós, e lugar de verdadeiro crescimento na fé, caminhando com todos os que nos rodeiam”, disse.
À imagem da colecta feita por S. Paulo para a Igreja de Jerusalém, o ofertório da celebração foi entregue ao bispo sírio. Para além do dinheiro, subiram ao altar objectos representativos da amizade e da generosidade dos portugueses para com os cristãos sírios. A Diocese de Aveiro, como símbolo, ofereceu um moliceiro de 60 cm.
D. Jorge Ortiga diz
que Deus está esquecido
No final da celebração, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), pediu aos católicos portugueses “maior ardor e empenho missionário”. “Este tempo exige novo ardor e novo empenho na evangelização”, disse. D. Jorge Ortiga.
O arcebispo de Braga agradeceu aos milhares de portugueses no Santuário, apesar do mau tempo, e pediu-lhes que sejam arautos do Evangelho, à semelhança do Apóstolo Paulo e de Nossa Senhora.
Reiterando que a Igreja em Portugal foi sempre uma Igreja missionária, o Presidente da CEP exortou os cristãos portugueses a escutarem a palavra de Deus “porque para evangelizar necessitamos de ser evangelizados”.
“Não é ser pessimista se se reconhecer que há muitos ambientes (em Portugal) onde Deus está esquecido”, afirmou, apelando a que, por isso, os portugueses se empenhem “no compromisso de evangelizar nestes tempos difíceis mas que são os nossos”.
No final da Eucaristia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, benzeu os objectos religiosos que os peregrinos traziam consigo e também uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima que será levada pelo bispo sírio para o seu país.
