João Paulo II na Eslováquia Centenas de milhares de fiéis participaram, em Bratislava, na Eslováquia, no domingo, na Eucaristia e cerimónia de beatificação do Bispo Vasil Hopko e da Irmã Zdenka Schelingová, mártires do regime comunista. O primeiro sofreu 26 anos de perseguições e tormentos, e a segunda, enquanto enfermeira, ajudou um padre ferido a fugir do hospital. Morreram em 1976 e 1955, respectivamente, depois de condenados e torturados, tendo o Bispo sofrido, ainda, envenenamentos progressivos.
Naquela Eucaristia, que foi, também, a cerimónia de despedida, em Petrzalka — o maior subúrbio de Bratislava —, o Papa lembrou o sofrimento dos novos beatos, que nunca deixaram de olhar para a Cruz “com uma fé invencível”. E acrescentou: “a sua Cruz foi encontrada na miséria do homem e na misericórdia de Deus. Adorar esta misericórdia infinita é, para o homem, a única via para entrar no mistério que a Cruz revela.”
“Ambos brilham diante de nós como exemplos luminosos de fidelidade em tempos de dura e impiedosa persegui-ção religiosa. Ambos enfrentaram processos injustos e condenações iníquas, torturas, humilhações, solidão e morte”, sublinhou o Santo Padre.
Ao dirigir-se aos muitos milhares eslovacos presentes na missa, João Paulo II felicitou-os por terem conservado, “ainda que em momentos difíceis”, a sua fidelidade a Cristo e à Sua Igreja, exortando-os a “não se envergonharem mais do Evangelho”, conservando-o “como o tesouro mais precioso, no qual alcançarão luz e força para a caminhada quotidiana da vida”.
Durante 40 anos, a Igreja foi perseguida na Eslováquia pelo comunismo, tal como aconteceu noutros países. Mas logo após a queda daquele regime opressor, em 1989, o catolicismo conheceu um verdadeiro renascimento, tendo o último recenseamento confirmado que cerca de 75 por cento dos eslovacos professam a religião católica.
Durante os quatro dias de terceira viagem apostólica à Eslováquia, Sua Santidade não perdeu a oportunidade de agradecer ao Presidente eslovaco a sua posição contra o aborto. Mas ainda valorizou a entrada, em breve, daquele país na União Europeia, tendo sublinhado a importância dos agricultores neste processo e apelado a uma maior responsabilização de todos.
“Que o vosso país contribua para a construção da nova Europa, com a vossa rica tradição cristã; não se contentem apenas com as vantagens económicas”, disse o Papa. E acrescentou: “Com efeito, uma grande riqueza pode criar uma grande pobreza. Só edificando mesmo à custa de sacrifícios uma sociedade que respeita a vida humana em todas as suas expressões, que promova a família, que procure o bem comum e que esteja atenta às exigências dos mais fracos, terá a garantia de um futuro fundado em bases sólidas e rico de bens para todos”, frisou João Paulo II, que durante esta viagem se mostrou bastante debilitado.
