Uma pedrada por semana O cireneu de quem leva uma cruz pesada não tem que ser gigante ou super-homem. Basta que seja uma pessoa normal, atenta aos outros, sensível às suas necessidades, compreensiva das suas dores, disponível para ajudar, no que lhe for possível.
Há uma ajuda sempre necessária e acessível a todos, como a do ombro amigo onde precisa de se apoiar quem sofre, quem carrega desilusões, quem vive esmagado por problemas que não sabe como resolver, quem leva consigo a angustiosa certeza de um presente difícil e não vê senão um futuro sem esperança…
O cireneu de Jesus Cristo não sonhava que o poderia vir a ser. Ia na sua vida. Passava por mais um condenado. Ficou na história, porque disponibilizou o seu ombro para que uma cruz pesada o ficasse menos apara aquele que a levava. O samaritano da parábola, ao sair de casa com seus projectos, não tinha o propósito de se demorar a cuidar de um estrangeiro, maltratado e roubado. A história guarda um e outro como corações sensíveis, ombros disponíveis, modelos correntes de amor gratuito.
Há muita gente a precisar de um ombro amigo, de um cireneu sensível. No Domingo, recordei mães que não sabem dos filhos, mesmo quando os têm ao seu lado… Hoje, recordo doentes que já morrerem porque ninguém os visita nem acarinha, pobres que apreciariam migalhas caídas de mesas opulentas, jovens que só lhe toca encontrar quem complica mais o seu rumo de vida, desempregados de mãos vazias a pensar que a sociedade os rejeita… Pensar só em nós desumaniza-nos. Pensar em quem pode precisar de nós, dá-nos vida.
O cristão ou é sempre o ombro amigo e o cireneu disponível, ou o seu cristianismo nada tem a ver com Cristo. Há pagãos travestidos de cristãos. Há cristãos anónimos, sem missa nem templo, que já começaram a descobrir Cristo nos outros.
