Há mais pessoas a pedir auxílio e “novas situações”, revela o presidente da direcção, na proximidade da Semana Cáritas, de 8 a 15 de Março
A Cáritas de Aveiro está preocupada com o aumento de pessoas que recorrem aos seus serviços. Em Janeiro deste ano a Cáritas atendeu 196 pessoas nas suas instalações da Rua do Carmo (n.º 42), enquanto em 2008 atendera 154. Houve um aumento de 42 casos (mais 30 por cento). Até ao dia 19 de Fevereiro, passaram pela Cáritas 158 pedidos de auxílio. Em Fevereiro de 2008 haviam sido 148, mas durante o mês inteiro.
Estes números deixam preocupado José Alves, presidente da instituição diocesana: “Tem havido uma maior procura por parte das pessoas e situações novas. Pessoas que não procuravam e agora procuram. Novos utentes. Por um lado, temos uma diminuição do número de imigrantes. Tudo leva a crer que há imigrantes que regressam ou que procuram outras zonas e outros países. Mas temos de facto um aumento do número de pedidos de auxílio”.
O presidente da direcção da Cáritas descreve o perfil dos novos utentes: “São pessoas que, por si, já têm rendimentos muitíssimos baixos. Ora, a situação é agravada pelo desemprego e por ordenados em atraso. Mas surge um novo tipo de pobreza. Alguns empregados, com uma vida razoável, um outro caso a trabalhar por conta própria, ficaram sem emprego. Estão na faixa dos 40-50 anos, pelo que ainda têm filhos a estudar. Nestas situações, é muito difícil depois encontrar novo emprego. E quem trabalha por conta própria não tem direito ao subsídio de desemprego. Perdem o trabalho, a fonte de rendimento, e depois, sem subsídio de desemprego, a situação fica mais complicada”.
A Cáritas reconhece que não pode chegar a todo e a todos. O aumento de pedidos de ajuda fez com que a instituição esteja com um “débito significativo” – na ordem dos 24 mil euros.
“As pessoas chegam-nos aqui numa situação muito complicada. Vão deixando passar e só quando já estão numa situação limite é que vêm. E quando vêm, pedem valores que são incomportáveis para as nossas capacidades. Pedem dinheiro para pagar 4-5 meses de renda ou as prestações da casa… Claro que não temos verba para entrar por aí”, afirma José Alves. O diácono permanente esclarece que a Cáritas, “por princípio” “não põe dinheiro nas mãos do utente”, mas auxilia pagamento das despesas básicas. “Ajudamos no pagamento da água, da luz, do gás – se a pessoas não tiverem estes bens não conseguem alimentar-se”. O pagamento é feito nos próprios estabelecimentos. No caso dos medicamentos, por exemplo, a Cáritas passa uma credencial ao utente para que este possa levantar o medicamento na farmácia. Depois passa pela farmácia e paga o medicamento.
Soluções temporárias
Naturalmente, estas soluções são “pontuais”. As mais profundas conseguem-se com empregos. A actuação da Cáritas neste campo é limitada. “Pedem emprego à Cáritas psicólogos, auxiliares de serviços, técnicos sociais… E temos muitos outros a pedir emprego noutras áreas. Encaminhamos essas pessoas para o Centro de Emprego – serviço com que estamos em relação próxima”, afirma José Alves. Mais preocupantes são os casos dos “indiferenciados ou com qualificação profissional muito baixa ou desadequada das realidades”. A esses a Cáritas propõe formação profissional, com o IEFP. As pessoas podem adquirir novas competências, numa formação geralmente subsidiada.
Paróquias retêm ofertórios
A Cáritas têm três grandes fontes de financiamento. A primeira é a Segurança Social, com quem estabeleceu acordos “normais” (como os que financiam, pelo menos em parte, o funcionamento de valências como o Centro de Acolhimento Temporário – para os sem-abrigo – ou a creche e o Centro de Acolhimento Infantil, em Esgueira) e outros “atípicos”, para situações pontuais.
A segunda são os protocolos com entidades como a Câmara Municipal Municipal de Aveiro ou o Governo Civil. Neste capítulo nem tudo funciona bem. A Câmara comprometeu-se a dar semestralmente 3000 euros para o Centro de Acolhimento Infantil (500 euros por mês). Mas só há pouco entregou o montante do primeiro semestre de 2007. Também o Governo Civil protocolou financiar a instalação e funcionamento do Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, serviço que a Cáritas assumiu em Outubro de 2008, mas até agora ainda não o fez.
A terceira fonte de financiamento são as empresas e os particulares, que dão donativos em dinheiro e em géneros. Neste ponto José Alves apela: “Quem tem géneros alimentares – e aqui posso estar a falar para agricultores que na altura das novas plantações arrancam couves, por exemplo – em vez de destruí-los pode entregá-los à Cáritas. Temos centenas de bocas para alimentar”. Ainda neste terceiro modo de financiamento incluem-se o peditório anual da Cáritas, na Semana Cáritas, em Março (na rua e nas missas paroquiais), e a campanha das “10 milhões de estrelas”, em Dezembro. No ano passado, o peditório da Semana Cáritas fez entrar na instituição 24 700 euros, mas cerca de 50 paróquias (metade das que a Diocese tem) ainda não entregaram os ofertórios das missas. Já a campanha natalícia, deduzidas as despesas, rendeu 7 695 euros.
Jorge Pires Ferreira
Peditório de rua na próxima semana
Nos dias 12, 13, 14, e 15 de Março, voluntários da Cáritas saem para a rua, em mais um peditório anual da Cáritas. Os voluntários estão devidamente identificados com um crachá e uma credencial (que pode ser solicitada pelo dador) que os autoriza a fazer o peditório nesse local, que tanto pode ser a rua, como o Hospital ou um hipermercado.
Atendendo à situação de crise que se vive, o organismo da Diocese de Aveiro tem tido mais solicitações e, consequentemente, mais encargos financeiros.
Quem quiser ajudar a Cáritas Diocesana nesta acção pode contactar a instituição através do telefone 234 377 260, do telemóvel 966 222 105 ou do e-mail: aveiro@caritas.pt.
