D. António Francisco concluiu visita pastoral a Dornelas. O Bispo de Aveiro notou a unidade da comunidade, apelou a “subir à montanha” da generosidade na Quaresma e insistiu na formação dos leigos
Depois de Dornelas começa Vale de Cambra e a Diocese do Porto. Por isso, no início da celebração que concluiu a visita pastoral do Bispo de Aveiro a esta paróquia de Sever do Vouga, uma jovem afirmou, pela comunidade: “Nas fronteiras da Diocese, sentimo-nos bem no centro do coração do nosso Bispo”. Falou pela comunidade, mas não foram palavras de circunstância. Ao Correio do Vouga, o P.e Paulo Aires, pároco com o P.e Licínio Cardoso, disse que “as pessoas apreciaram muito a proximidade do Sr. Bispo”. A proximidade verificou-se no contacto com as crianças da escola e da catequese, nos momentos de oração na igreja e numa das capelas, no contacto com as pessoas da rua ou mesmo quando D. António Francisco se dispôs a ouvir pessoas em confissão, na igreja.
P.e Paulo Aires realça o encontro com as crianças da catequese. Durante mais de uma hora, o Bispo de Aveiro respondeu às perguntas espontâneas dos mais jovens, por vezes reveladoras de ingenuidade, mas também de à vontade com o Pastor da Diocese. “Gosta da gastronomia da nossa zona?” – perguntou uma criança. “Por que é que quis ir para bispo?” – perguntou outra.
Subir à montanha
As leituras do Domingo, 8 de Março, falavam de subir à montanha. Abraão ia sacrificar o filho, mas é impedido no último instante. E Jesus transfigura-se perante alguns apóstolos. D. António Francisco, que teve de subir à montanha a partir das terras da Ria, convidou a comunidade a subir “ao encontro de Jesus Cristo”. É esse o apelo da Quaresma que se concretiza no “esforço de solidariedade”, quer respondendo à proposta diocesana, que sugere uma partilha de bens para a construção da Casa Sacerdotal, “santuário de gratidão” às pessoas que se dedicaram ao serviço da Igreja, e para a diocese angolana de Benguela, quer escutando o apelo permanente dos mais necessitados. “Os pobres precisam de conhecer os caminhos da Igreja. Temos de repartir com eles o que, sendo pão para nós, repartido, é pão para todos”, afirmou.
Apelos à comunidade
O Bispo de Aveiro referiu que a comunidade de Dornelas tem decrescido ligeiramente em número de pessoas (menos 52 em 2009 comparando com os dados de 2001), mas tem aumentado em participação na Eucaristia, segundo um inquérito realizado em Janeiro deste ano. Em 2001, havia 59 homens a participar na missa. Agora são 117. “Se trago estes números é para agradecer o trabalho feito para preparar esta visita pastoral”, afirmou.
Aos dornelenses, “comunidade onde toda a gente se conhece”, D. António Francisco deixou alguns apelos. Pediu-lhes que intensifiquem a formação de leigos no campo da evangelização e da liturgia; pediu-lhes que “os limites das fronteiras não sejam barreira, mas pontes”, sugerindo a comunhão de iniciativas com as paróquias das dioceses vizinhas (Porto e Viseu); pediu-lhes o “sentido amplo de comunidade”, lembrando que o Centro Social Maria da Glória, que fica em Silva Escura, serve também a comunidade de Dornelas, paróquia que foi desmembrada de Silva Escura em 1989.
No final da celebração, a comunidade ofereceu ao Bispo de Aveiro um madeiro “contorcido pelo clima a agreste da Serra do Arestal”, mas com rosas, uvas e uma pomba como sinal do Espírito Santo. Depois do encontro à volta de mesa da Eucaristia em que foram crismados sete jovens e adultos, houve convívio à volta de mesas recheadas de petiscos, no adro da Igreja.
J.P.F.
