Bispo de Aveiro em Ancas e Tamengos

O Bispo de Aveiro esteve em visita pastoral a Ancas, de 8 a 14 de Março, e a Tamengos, de 15 a 21 do mesmo mês. Ecos da visita a estas duas comunidades do arciprestado de Anadia

Ancas

No encerramento da visita pastoral à paróquia de Ancas, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, D. António Francisco agradeceu a dedicação do pároco, P.e Tiago Kassoma, e apontou alguns caminhos pastorais a percorrer.

O Bispo de Aveiro quis “sublinhar a dedicação e a colaboração do pároco, P.e Tiago Kassoma, da diocese de Benguela [Angola], a trabalhar em Aveiro há cinco anos, e destacar o bom acolhimento e a permanente colaboração que lhe são dispensados por toda a comunidade”. “Saibamos agradecer o dom da vida e do ministério do nosso pároco, vindo de longe, distante da sua família, para estar connosco e trabalhar na messe do Senhor no meio de nós”, disse no final da homilia.

Como “primeira prioridade pastoral sentida e partilhada por todos”, o Bispo de Aveiro apontou a missão evangelizadora “a quantos se sentem distantes da vida da fé, embora sejam baptizados”, e a formação dos leigos. Na mesma linha, incentivou a participação na Eucaristia, alertando famílias e crianças “para que não se bastem apenas com a frequência da catequese”. Por outro lado, exortou ao cuidado dos doentes e dos idosos e apelou à participação da comunidade em iniciativas fora de Ancas. “Desejo ver-vos mais presentes nas iniciativas arciprestais e diocesana para desta comum participação todos nós beneficiarmos e recebermos os dons do vosso testemunho de vida e de fé. Todos somos chamados a construir o bem comum”, rematou.

O P.e Tiago Kassoma avaliou ao Correio do Vouga a visita como sendo “muito proveitosa”. “O Sr. Bispo contactou com o povo, passou por quase tudo, visitou doentes e escolas, passou pelos empreendimentos, que nesta zona estão ligados ao sector do vinho, embora também haja uma gráfica e empresas ligadas à madeira, reuniu com o clube desportivo e até com a associação de caça e pesca. As pessoas sentiram-no como muito próximo. Ele ouviu as dificuldades e também apontou linhas orientadoras”, afirma.

Tendo estado em paróquias de Albergaria antes de estar na Bairrada, o P.e Tiago afirma que o “povo [bairradino] não é muito diferente e as dificuldades pastorais são as mesmas”. Assumindo as linhas orientadoras deixadas pelo Bispo de Aveiro, considera ser prioritário nesta sua paróquia (tem ainda à sua responsabilidade Paredes do Bairro) “a animação da pastoral juvenil e a promoção das vocações”, para mais, em Ano Sacerdotal. Por outro lado, deseja que a sua comunidade seja “como uma família”, mas reconhece que “quem faz o trabalho é o Espírito Santo”. Por isso, afirma: “Somos apenas colaboradores. Nem sempre somos bons, podíamos ser melhores. Mas somos apenas colaboradores”.

Tamengos

Nesta paróquia que tem no seu território as Termas da Curia, o Bispo de Aveiro realçou a importância do acolhimento ao encerrar a visita, no dia 21 de Março: “Estamos numa região em que à beleza da natureza se associam com uma saudável naturalidade os valores medicinais das águas termais, o acolhimento humano e o espírito cristão das suas gentes”. Noutro momento, passando do acolhimento humano à evangelização, acrescentou: “Uma das actividades mais significativas da nossa comunidade tem de ser o acolhimento sereno, atento e bondoso aos que diariamente nos procuram. Devemos ser uma comunidade cristã aberta, sem fronteiras nem barreiras, onde todos se sintam bem acolhidos e comprometidos cristãmente, decididos a trabalhar na construção do bem comum e na edificação da comunidade. Não sejamos uma Igreja debruçada sobre ela própria nem uma comunidade fechada sobre si mesma que se limite a alimentar na fé e na vida cristã apenas os praticantes e assíduos às celebrações litúrgicas”.

D. António Francisco notou que a mudança frequente de párocos motivou algumas dificuldades para a vivência da fé, mas realçou que há condições para “crescer na fé e na comunhão”, deixando um apelo: “Entre vós vivem homens e mulheres com aprofundada formação cristã e empenhamento eclesial, com missões específicas na vida da Igreja, das escolas ou da Pastoral Diocesana. É necessário saber dar valor, lugar e voz aos membros da comunidade cristã para que sejamos todos discípulos de Jesus e missionários no nosso meio”.

Na celebração em que deu posse ao Conselho Económico e Pastoral, o Bispo de Aveiro deixou ainda uma palavra para as obras físicas: “A nossa Igreja teve obras de renovação recentes. Precisamos agora de qualificar o adro e o espaço envolvente (…). Sei que os dinheiros não abundam, mas com o esforço de todos podemos fazer sempre mais e melhor”.

Ouvido pelo Correio do Vouga, o P.e António Manuel Torrão considerou a visita como um “estímulo” para pessoas e instituições. Refere o sacerdote que pretendeu mostrar o dia-a-dia da paróquia “tal e qual como é”, sem azáfamas especiais por se tratar da visita do Pastor da Diocese.

Pároco desde 2008, depois de um primeiro período de três anos que terminou em 2001, P.e Torrão interroga-se sobre “o que fica da visita”, notando, no entanto, que a sua comunidade tem de caminhar mais em dois sentidos: união, pois é constituída por quatro comunidades mais pequenas (Tamengos, Mata, Horta e Curia), por vezes pouco ligadas entre si, e participação.