Amaro Neves evocou Isabel da Luz Figueiredo

Na conferência “Aveirenses Ilustres”, realizada no Dia da Mulher, o historiador aveirense Amaro Neves evocou a figura de Isabel da Luz Figueiredo, uma até agora “desconhecida ilustre aveirense”.

Nascida em Aveiro, na década de 1630, Isabel da Luz Figueiredo foi uma “notável mecenas e benemérita aveirense” que, por isso mesmo, não pode ficar no esquecimento dos aveirenses. Oriunda de famílias ligadas aos negócios do mar, esta “aveirense ilustre” conseguiu reu-nir uma fortuna considerável que doou à Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, sobretudo ao seu hospital, ao convento de Santo António e à Ordem de São Francisco, bem como a algumas confrarias da então vila de Aveiro.

Isabel da Luz Figueiredo instituiu uma colegiada, onde eram “cantados os ofícios divinos com qualidade e regularidade igual às grandes dioceses e catedrais portuguesas. Assim pretendeu igualar Aveiro ao melhor que, ao tempo, havia no reino. Deu também atenção à protecção de mulheres de poucos recursos existentes na vila e aos pobres em geral”, referiu Amaro Neves.

O historiador aveirense realçou que “aquela colegiada manteve-se, sempre em altos pagamentos aos seus membros, no exercício da melhor música, por mais de século e meio, sendo, neste aspecto, uma verdadeira mecenas da vila”.

Funeral grandioso

O funeral desta “aveirense ilustre”, ocorrido em 1685, foi, no dizer de Amaro Neves, “um cortejo extraordinariamente participado e grandioso, por honra dos seus contemporâneos”.

Na memória colectiva dos aveirenses paira sobre Isabel da Luz Figueiredo “um silêncio confrangedor, certamente porque o nosso maior historiógrafo antigo, Rangel de Quadros, não conseguiu identificar-lhe quaisquer membros da família, para enquadramento social, situação, felizmente, já ultrapassada”, afirmou Amaro Neves, para quem “justifica-se, pois, reabilitar quem tanto bem fez a tanta gente, pondo ao serviço da sociedade a quase totalidade dos seus imensos recursos”.