Encerramento da Semana Missionária no Santuário de Vagos
A semana missionária do arciprestado de Vagos encerrou com uma grande assembleia de cânticos, testemunhos, oração e representações no santuário de Santa Maria de Vagos, na tarde de Domingo, 15 de Março. Mais de duas mil pessoas, das onze paróquias, quiseram participar na conclusão de uma semana em que 13 missionários “ad gentes” apelaram à participação na missão da Igreja, quer partindo para outras terras, quer “na retaguarda”.
“Todos os continentes conhecem hoje Jesus Cristo. É necessário que o conheçam todas as pessoas”, afirmou D. António Francisco, lembrando que a missão é para todos os cristãos, para os que se dão em entrega generosa e heróica a Cristo, mas também para os doentes, que “estão na vanguarda”, para os jovens, para as “pessoas de coração convertido”, as famílias e as comunidades acolhedoras. O Bispo de Aveiro frisou que o amor pela missão “brota da Trindade”. Afinal, a “missão é de Deus, não é nossa. Mas todos somos chamados a ser testemunhas e servos de Deus e da sua Palavra”. E lembrou o modelo que é Paulo. O Apóstolo é alguém a “seguir com urgência” no “seu jeito de evangelizar”. Neste sentido, desejou que em muitos jovens se dê “o encontro de Damasco” – o momento em que Paulo se converte ao Evangelho.
De Vagos
para três continentes
Claudino Gomes, que coordenou a semana com os sacerdotes de Vagos, fazendo um balanço, destacou a preparação da semana ao longo de quatro meses. “Foi algo de novo e francamente positivo a participação do Secretariado Diocesano de Animação Missionária. Houve um grande trabalho feito no terreno, com grande participação dos jovens. Noutras semanas é tudo feito pelos que vêm de fora”, afirmou. O missionário comboniano realçou a participação popular, embora em grau diferente consoante as paróquias.
Dirigindo-se à assembleia, P.e Claudino Gomes afirmou que em Vagos, há 22 anos, nasceram os Cenáculos de Oração, que se espalharam por três continentes. O Correio do Vouga pediu-lhe que explicasse em que consistem. “Em 1987, em Aradas, onde os missionários combonianos tinham uma casa, preguei um retiro em que propus a ideia simples de se encontrarem para rezar pelas missões. Duas senhoras de Lombomeão (Vagos) apanharam a ideia e passados uns dias já tinham seis grupos. A ideia foi-se propagando e aquando da beatificação de Daniel Comboni [fundador do instituto missionário], em Roma, imprimimos uns folhetos em várias línguas. Surgiram depois grupos no Brasil”. Hoje há iniciativas deste género em vários países europeus, em África e no Brasil.
Nos cenáculos, as pessoas reúnem-se uma vez por mês, e, normalmente com o apoio de uma revista missionária, lendo casos e testemunhos (também com o Correio do Vouga, que tem publicado testemunhos missionários juvenis – como referiu P.e Claudino Gomes), ficam despertas para a oração e a sensibilização nas suas comunidades.
A formação de cenáculos deste género e de grupos paroquiais missionários sãos dos principais e imediatos frutos da semana missionária. Na tarde de encerramento anunciou-se a constituição de vários, nas diversas paróquias.
Quanto ao surgimento de novas vocações missionárias, que será sempre um objectivo de fundo, a questão é mais complicada. Vagos tem neste momento, tanto quanto este jornal conseguiu apurar, sete missionários (seis combonianos e um da Boa Nova), mas nenhum jovem em formação. “É uma interrogação a que temos de dar resposta”, afirma P.e José Arnaldo. Para o arcipreste de Vagos e pároco de Calvão e da Gafanha da Boa Hora, a semana foi, contudo, “altamente positiva”. “Os missionários sabem que não estão sozinhos na missão. Continuam a missão sabendo que na retaguarda têm grandes comunidades que estão com eles”, remata.
Jorge Pires Ferreira
Testemunhos
Nino, de Ponte de Vagos, jovem voluntário em Angola, no Verão de 2006
“Vi fome, pobreza e miséria”
“Em Luanda, impressionou-me os jovens que se drogavam com gasolina. Enquanto estavam naquele estado, não sentiam a fome que passavam. Vi lutas de crianças e jovens por causa de migalhas. Famílias de 10 ou 12 filhos que apenas tinham duas bacias de água por dia. Numa prisão para 500 pessoas estavam 5000, a maior parte com sida. Vi fome, pobreza, miséria, mas nunca vi tristeza. São coisas que nos fazem pensar, a nós que muitas vezes nos queixámos perante a mínima dificuldade”.
Ir. Conceição Pena, das Franciscanas de N.ª Sr.ª das Vitórias
“Sou fruto das semanas missionárias”
“Foi numa semana como estas que despertou a minha vocação. Sou fruto das semanas missionárias. Sendo filha única, associei pai e mãe à grande missão da Igreja. Estive uma temporada em Timor, mas agora trabalho em Portugal. É sempre muito mais o que recebemos em alegria pela doação que fazemos da nossa vida. Apelo aos jovens: não tenhais medo das sementes que o Senhor lança nos vossos corações. Ele vos dará toda a força de que precisardes e vos conduzirá sempre”.
