Foi a 29 de Março de 1949 que D. João Evangelista de Lima Vidal criou o Secretariado Diocesano da Catequese, que tinha como embrião a “Associação da Catequese da Diocese de Aveiro”, criada a 6 de Setembro de 1939. Foi seu primeiro presidente o P.e Amilcar Amaral. Logo o Secretariado Diocesano começou a desenvolver a sua actividade. Primeira parte de uma investigação do P.e Martins Belinquete, por sugestão do Secretariado da Catequese.
I – A Catequese de Infância
1.ª Fase: Realizações que deram grande impulso à catequese:
– o Congresso Catequístico que decorreu de 12 a 16 de Outubro de 1949. Das Conclusões destacamos:
– que se promova o recrutamento de catequistas em número suficiente, pois existem apenas 400, quando seriam necessárias 2.000;
– que o Prelado exerça a sua influência junto dos outros Bispos para que seja criado um Secretariado Nacional da Catequese e um Catecismo Nacional.
D. João Evangelista desempenhou-se desta incumbência na Assembleia Plenária dos Bispos que houve a seguir, em 14 e 15 de Dezembro, onde apresentou as propostas referidas.
No ano seguinte realizou-se o Tríduo Catequístico.
Pela influência que teve em todo o País, é indispensável referir a ‘Semana de Estudos Catequísticos, realizada em Coimbra, em 24 a 29 de Julho de 1950, promovida e organizada pelo Secretário Geral da Acção Católica, Mons. Domingos d’Apresentação Fernandes, na qual participaram também diversos padres da Diocese de Aveiro.
O Congresso e o Tríduo tiveram como principais destinatários os padres.
Além do P.e Amilcar Amaral, outros padres tiveram um papel importante no desenvolvimento da Catequese na Diocese, dentre os quais é justo lembrar o P.e Manuel António Fernandes, o P.e António Resende, o P.e Daniel Correia Rama (que compusera e publicara um catecismo, pouco antes do aparecimento do Catecismo Nacional)…
2.ª Fase (1955): Despertar a consciência das comunidades cristãs – paróquias – para a importância e necessidade da Catequese:
A vinda de D. Domingos para Bispo Auxiliar de Aveiro em 1951 deu novo impulso ao trabalho pastoral na Diocese e, nomeadamente, na Catequese. Com a finalidade acima referida, planeou e realizou, acompanhado já por um sacerdote que tinha nomeado para este Serviço, a tempo inteiro, o P.e Belinquete, um vasto plano de actividades – Encontros Regionais de um dia em cada um dos arciprestados. Nesses encontros participaram 865 catequistas e outras pessoas dispostas a sê-lo, de 70 paróquias das 87 que constituíam a Diocese. No ano seguinte repete-se o programa. D. Domingos não só acompanha, mas dirige os Encontros, desenvolvendo temas do programa com o Secretário Diocesano. O número de catequistas ia aumentando, de modo que em 1961-62 eram já 2.147.
3.ª Fase (1956-57): Preparação básica dos Catequistas
Feita a sensibilização e uma preparação inicial, era necessário dar uma formação básica aos Catequistas. Com essa finalidade organizaram-se Cursos Intensivos de três dias, de âmbito regional ou diocesano, com uma parte de formação doutrinal, outra psico-pedagógica e outra espiritual.
Em 1961-62: Novo Plano para atingir o maior número possível de catequistas, e com a colaboração efectiva dos Sacerdotes: Cursos Interparoquiais com um programa cujos temas, a tratar em cada paróquia, segundo um calendário previamente acordado, eram orientados pelos párocos e coadjutores da respectiva área – grupo de paróquias -, em sistema de rotatividade: cada um ia orientar o ‘seu’ tema nas outras paróquias. Neste trabalho participaram 70 sacerdotes, tendo sido dadas 356 lições. No ano seguinte, realizou-se idêntico trabalho, tendo sido dadas 668 lições.
Em 1965-66 e seguintes: Realização de Cursos, em regime de internato, durante uma semana, com uma parte doutrinal, outra espiritual (l dia de retiro), outra psico-pedagógica, com uma lição prática dada a crianças, de acordo com as novas orientações.
4.ª Fase (1963-64): A formação através de Estágios:
São organizados e começam a funcionar os Estágios. Durante 3 anos funcionaram na cidade de Aveiro, mas para todas as paróquias da Diocese: lições semanais com início em fins de Setembro até Junho seguinte – o ano de catequese.
Foi a Ir. Madalena, das Missionárias Reparadoras, que orientou os trabalhos destes primeiros estágios.
A partir de 1967-68 são lançados e começam a funcionar três Centros Regionais de Estágio: em Anadia, em Águeda e em Estarreja.
Os párocos acompanham os seus catequistas, assistem e fazem as mesmas actividades de estágio como os catequistas leigos. Os párocos fazerem também estágio juntamente com os seus catequistas era uma iniciativa inédita no País. Por isso, a revista Voz da Catequese, de Lisboa, quis saber o que pensavam os párocos-participantes e pediu-lhes os seus testemunhos que foram publicados na revista. Recordamos apenas os de dois:
O pároco, de então, de S. Lourenço do Bairro disse: “A mensagem cristã com este método, aparece não como um ensino (embora este aspecto apareça com o devido relevo), mas como uma vivência comprometedora.
O método faz com que a fé surja, não como uma conclusão dum silogismo, mas como adesão amorosa a Deus (que se torna experimentável no catequista). Para a formação pessoal, doutrinária e pedagógica dos catequistas, a frequência do estágio é totalmente positiva. Por enquanto, ainda não estou a trabalhar com este método na Paróquia; espero fazê-lo. A variedade de actividades faz com que o método não canse”.
O de Oiã disse: “O método é um meio mais válido para conseguir na criança o desenvolvimento duma fé mais viva. O pároco, sem a frequência do estágio, por mais bem informado que esteja, não creio que seja capaz de acompanhar, orientar e exigir dos seus catequistas no novo método, que para ser válido supõe catequistas bem formadas e de vida cristã autêntica. No que se refere às crianças, só assim se conseguirá uma catequese que “fale “ às crianças e as leve a vivera fé”…
No 1.° ano de estágio catequistas e párocos aprendem a orientar as lições nos Centros de estágio; no ano seguinte, assumem a orientação das lições de catequese nas suas paróquias.
Nos anos seguintes, e até 1979-80, funcionaram centros de estágio nos outros arciprestados.
Os trabalhos dos Estágios Regionais foram orientados pelo Secretário Diocesano da Catequese e pelas duas Catequistas Formadoras, Assunção Costa e D. Lucília Amador. O realizado em Sever do Vouga foi orientado por Mons. Amilcar Amaral.
Continua na próxima semana
