“O mundo de hoje não ajuda os jovens a serem livres

Escutismo O Dia de S. Jorge, patrono do escutismo, juntou 2000 escuteiros em Estarreja. Mas o realce esteve em S. Nuno e nas vocações. A liberdade de S. Nuno é exemplo para os jovens serem livres e seguirem uma vocação

Em Estarreja, no dia 26 de Abril, o mais difícil foi sair à rua e não encontrar um bando de lobitos, uma patrulha de exploradores, uma equipa de pioneiros ou de caminheiros. Cerca de dois milhares escuteiros, de todos os agrupamentos da Região de Aveiro (corresponde à Diocese), confluíram para a cidade do Antuã e participaram, durante a manhã, em jogos de equipa realizados no parque municipal, na Feira de Santo Amaro, na urbanização da Póvoa de Baixo ou na Sr.ª do Monte (Salreu). À tarde, o desfile aberto pela fanfarra da Murtosa deixou muitos estarrejenses admirados com tantos escuteiros, “tão alinhados”. “Não imaginava que eram tantos”, diz ao Correio do Vouga uma senhora de Estarreja, mãe de dois pioneiros, ao observar o desfile na zona ampla do mercado, sem ver o início nem o fim. “Penso que isto também serve de incentivo para os escuteiros de cá”, acrescenta.

O desfile confluiu para a praça Francisco Barbosa, onde D. António Marcelino presidiu à Eucaristia. O Bispo Emérito de Aveiro destacou o exemplo de S. Nuno de Santa Maria, canonizado nessa manhã, no Vaticano. “Não é que tenhamos que fazer o mesmo que ele fez” – disse, depois de apontar que o Condestável, sendo um dos mais ricos do reino, despojou-se de tudo para servir a Deus – “mas devemos ter os mesmos sentimentos que ele teve”. “São Nuno é um exemplo para a juventude, que precisa de exemplos destes: depois de servir a pátria, orientou a sua vida noutro sentido, que é sempre o mesmo, o sentido de Deus. (…) Encontrou na fidelidade a Deus o sentido da sua vocação”.

No primeiro dia da Semana das Vocações, D. António Marcelino realçou que os mais novos precisam de pensar na vocação radical que todos têm. “A gente nova frequenta as escolas e a universidade em função do futuro. E como projecto de vida, também pensamos no futuro?”, interrogou. Muitos não têm trabalho na área em que foram formados, mas “na casa de Deus há sempre espaço para os talentos; não há inúteis, nunca; há uma vocação a descobrir”, sublinhou.

D. António Marcelino denunciou que o mundo de hoje não ajuda os jovens a serem livres e deu como exemplo a pergunta que os adultos fazem às crianças logo nos primeiros níveis de ensino: “Já tens namorado/a?”, como se todos estivessem predeterminados para o matrimónio. Nesse sentido, alertou para a responsabilidade dos pais, professores, catequistas, dirigentes escutistas, numa palavra, educadores: ajudar a descobrir a vocação, abrir caminhos, ajudar a ser livre, “pôr o problema da vocação desde os mais novos aos mais velhos”.

Reconhecendo que o escutismo na Diocese tem “centenas de chefes dedicados aos mais novos”, D. António Marcelino frisou que o “escutismo é escola de valores humanos, cristãos, evangélicos”, pelo que os dirigentes escutistas devem, também eles, “crescer na fé para ajudar os outros a crescer”.

Jorge Pires Ferreira

Como foi o dia de S. Jorge?

Mariana Almeida, 9 anos, Lobito de Rocas do Vouga

“Joguei e corri muito. Gostei mais do jogo da cegonha. Tínhamos de apanhar ovos de papel com os braços cruzados. Foi um dia muito divertido.”

João Pedro, 12 anos, Explorador de Avanca

“A parte da manhã foi muito cansativa. Perdemo-nos. Os mapas não eram explícitos. Demos umas cinco voltas a uma fábrica. É o quinto ano que participo no Dia de S. Jorge. Todos os anos são diferentes.”

Daniela Ah Lima, 15 anos, Pioneira de Esgueira

“Foi um dia agradável. Com os jogos de cidade, fiquei a conhecer Estarreja. Convivi com pioneiros do meu e de outros agrupamentos. Há sete anos que participo neste dia.”

Ricardo Paiva, 20 anos, Caminheiro de Águeda

“O dia correu muito bem. O pessoal esteve unido e manteve o espírito do caminheirismo. Os jogos foram cativantes e desafiaram-nos conhecer as sete freguesias de Estarreja e, principalmente, São Paulo e a conversão.”

Reacções

Desafio ganho

“Este dia em Estarreja foi um grande desafio para o seu agrupamento; por isso quero dar-lhes os parabéns, saudando os outros dois agrupamentos do concelho, o de Canelas e do de Avanca. Os escuteiros que nos visitaram viram que somos uma terra bonita, acolhedora, e que temos muito mais do que o complexo químico. Foi um desafio ganho. Houve muita alegria e o sol também ajudou”.

José Eduardo Matos, presidente da Câmara Municipal de Estarreja

Espectacular

“Foi um dia espectacular. Correu melhor do que eu pensava. Tenho de realçar a ajuda dos pais das crianças e jovens do nosso agrupamento. Organizar esta actividade para toda a região foi uma lufada de ar fresco para o Agrupamento 233. Foi muito importante para nós porque penso que as pessoas se aperceberam do que o nosso agrupamento é capaz. E também foi importante para a nossa cidade”.

Luz Maria Gomes, Chefe do Agrupamento 233 – Estarreja

Santo escuteiro

“Este dia de S. Jorge [patrono mundial do Escutismo] acontece no dia da declaração de santo de Nuno Álvares Pereira. Este santo diz-nos muito pelas suas qualidades de heroísmo, serviço aos outros, à pátria, disponibilidade – são valores do CNE. Como chefe regional, estava convidado para ir a Roma, mas não fui porque tinha de estar com estes 2000 escuteiros. A Região de Aveiro esteve representada no Vaticano pelo chefe Norberto Correia”.

Manuel Santos, Chefe Regional do CNE