Na presença de milhares de fiéis, o Cardeal José Saraiva Martins sublinhou a dimensão nacional do Cristo Rei e lembrou que a paz continua a ser “uma das exigências maiores do tempo actual”
“Este é o monumento da paz e lembra-nos que a paz é uma das exigências maiores do tempo actual, deve lembrar-nos que a paz tem de ser construída não pelos canhões, não pelas armas, mas pelo amor, pelo respeito do homem e da sua dignidade, dos seus direitos fundamentais, das suas aspirações”, afirmou o cardeal José Saraiva Martins, na Missa que encerrou as comemorações do cinquentenário do monumento do Cristo Rei, na tarde do dia 17 de Maio.
O cardeal, enviado especial de Bento XVI, realçou a dimensão nacional do monumento e, lembrando o voto que esteve na sua origem – o pedido de paz dos bispos portugueses em 1940 -, apontou que o Cristo Rei transmite a “lição” de que a paz se alicerça “na justiça, na verdade, não no ódio, não na desigualdade, não na desconfiança”.
Antes, fora transmitida a mensagem que o próprio Papa dirigira a Portugal, no Domingo de manhã, no Vaticano. Falando depois da recitação da oração mariana do Regina Coeli, na Praça de São Pedro, pediu que o nosso país seja “fiel na fé católica, fértil na santidade, próspero na economia, justo na partilha da riqueza, fraterno no desenvolvimento, alegre no serviço público”.
Na celebração de Almada estiveram presentes milhares de fiéis, mais de 20 bispos portugueses, representantes dos episcopados lusófonos e líderes militares e políticos, com destaque para o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o presidente da Assembleia, Jaime Gama, e o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira.
Na sua homilia, o Cardeal Saraiva Martins disse que a celebração dos 50 anos é “uma expressão de reiterada gratidão nacional, mas também de renovado empenho pessoal, comunitário e eclesial”.
Depois de apresentar uma reflexão sobre a simbologia do coração de Jesus e da realeza de Cristo, o Cardeal português defendeu que o amor a Cristo, centro da sua vida e mensagem, só será verdadeiro se, partindo do íntimo, se manifestar ao próximo, levando cada um a sair e a esquecer-se de si mesmo para ir ao seu encontro de braços abertos, para o “acolher e aceitar incondicionalmente, com amizade, respeito e confiança”.
O prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos sublinhou a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, tal como há 50 anos, destacando que “a mensagem de Fátima é, com efeito, essencialmente, uma mensagem eucarística, de amor e de paz”.
“Renovemos a nossa fé em Cristo Rei, no seu Sagrado Coração e no da Sua e nossa Mãe. Confiemos-lhes, de novo, o nosso País e toda a humanidade, para que o seu amor reine e o mundo tenha paz: a paz dos corações enfim reconciliados; a paz nas nossas famílias e locais de trabalho; a paz nas nossas comunidades eclesiais e em toda a Igreja; a paz no nosso país e no mundo inteiro”, apelou.
A Missa concluiu-se com a renovação da Consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus, lida pelo Cardeal Saraiva Martins, e uma intervenção de D. Jorge Ortiga. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) realçou que o cinquentenário não se viveu apenas com celebrações litúrgicas, dado que na sexta-feira decorreu em Lisboa um simpósio sobre a crise. “Em Igreja e como Igreja reflectimos sobre o dever de reinventar a solidariedade, fazendo que seja expressão do amor que Cristo nos manifestou”, disse, depois de ter agradecido as palavras do Papa.
CV / Ecclesia
Cristo Rei e Cristo Redentor geminados
O Bispo de Setúbal e o Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta, oficializaram a geminação entre o Santuário de Cristo Rei, em Almada, e o Santuário do Cristo Redentor do Corcovado, no Brasil. Além dos dois prelados, assinaram o documento os respectivos reitores, tendo ainda havido troca simbólica de imagens dos respectivos Cristos.
O Arcebispo do Rio destacou na sua intervenção a “cultura religiosa” que Portugal levou para o Brasil e falou da importância do acto de geminação assinado este Domingo, que faz destes santuários “irmãos”.
D. Gilberto Reis, por seu lado, deixou votos de que esse gesto “estimule o nosso mundo a ser um mundo de laços cada vez mais profundos e variados, que globalizem o amor e a paz”.
