Dar sentido à sexualidade humnana contra o vácuo dominante

Livro Se isto é o amor… ABC da afectividade e da sexualidade

Roberta Vinerba

Paulinas

285 páginas

Há dias, um jornal nacional titulava como grande novidade que “Deus gosta que os católicos tenham uma vida sexual feliz”. No meio da notícia sobre um livro de auto-ajuda para casais, escrito por um frade polaco, lá se dizia que “a importância do corpo, da ética do amor, do casamento e da sexualidade na vida dos casais, unidos pelo matrimónio, foi um tema recorrente nos discursos de João Paulo II, mas também de Bento XVI”. O leitor menos avisado, só pelo título da notícia do “Público” de 18 de Maio, poderia supor (e sabemos que isso corresponde a um certo tipo de mentalidade) que Deus e a Igreja não costumam gostar de que os católicos (e todos os seres humanos) tenham uma vida sexual feliz.

“Se isto é o amor…” é escrito não por um franciscano polaco, mas por uma franciscana italiana, Roberta Vinerba, doutorada em Teologia e emprenhada na catequização de adultos e na evangelização de jovens e adolescentes. O título remete para o livro “Se isto é um homem”, de Primo Levi, o judeu italiano que escapou o campo de concentração para relatar os horrores da exterminação nazi. “Se isto é o amor…” serve-se das canções, dos dizeres, da arte, da cultura popular para introduzir o leitor na “arte do dom de si”, nunca separando a afectividade da sexualidade. Se em tempos a Igreja exagerava na pecaminosidade da sexualidade, hoje assume com equilíbrio a corporalização da afectividade, quando a cultura prevalecente e mesmo as políticas governamentais sublinham a sexualidade sem afecto, sem o tal “dom de si”, sem contexto de crescimento humano, sem espírito.

Em resumo

A realidade: Há sexólogos “ao pontapé”, mas por detrás desta invasão do «saber sexual» encontra-se o vazio absoluto (pág. 50).

O sentido: “Deus é «discreto», mas indispensável para podermos viver o amor e nos indicar o seu verdadeiro esplendor” (pág. 197).