Papa concretizar o preceito “EStive preso e fostes ter comigo”

Livro “As prisões são lugares complexos em diferentes situações, geralmente com grandes e graves feridas, marcadas pela culpa, pela vergonha, revoltadas e entregues a uma solidão que não ajuda a uma inserção positiva na sociedade”, afirma D. Cardos Azevedo na apresentação desta obra. Por isso, a pastoral penitenciária não pode resumir-se à mera visita. “Há uma atitude anterior, de prevenção, e existe uma preocupação posterior, de reinserção. Para além da dimensão meramente religiosa de acompanhamento espiritual, há necessidade de prestar ajudas jurídicas e sociais”, acrescenta o presidente da Comissão Episcopal de Pastoral Social.

“Modelo para o Plano de Pastoral Penitenciária” apresenta precisamente directrizes fundamentais que poderão ser referência para a acção eclesial organizada – é isso a pastoral – no mundo dos presos e das prisões, antes, durante e depois.

Este conjunto 10 documentos e comunicações (o primeiro é a mensagem de João Paulo II para o Jubileu nos Cárceres, no ano 2000), de especialistas em diversos campos (sociólogos, juristas, capelões, visitadores prisionais…), surgiu em Espanha, em 2005, e aparece agora em português (tradução de José Manuel Marques Pereira, padre da diocese de Aveiro), com o desejo de que a pastoral penitenciária seja “implementada em todas as dioceses de Portugal”, como sublinha P.e João Gonçalves, coordenador nacional deste sector pastoral, na nota introdutória desta obra. O sacerdote da diocese de Aveiro deixa, no entanto, um reparo. Não foi possível adaptar as referências legislativas à realidade portuguesa porque a Concordata assinada entre Portugal e a Santa Sé em 2004 ainda não está regulamentada no sector da Assistência Espiritual e Religiosa (Artigo 18.º)…

De qualquer forma, a pastoral penitenciária, consequência do preceito evangélico do “estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25,36), não pode esperar. Este volume oferece as grandes linhas para estabelecer uma acção eclesial diocesana, alicerçada e consequente, no mundo das prisões, porque “em Jesus Cristo, também as prisões se encheram da luz que provém da sua Ressurreição e são lugares de encontro com Ele, precisamente porque Ele veio para sarar os corações aflitos” (pág. 7).

Modelo para o Plano de Pastoral Penitenciária

Autores vários

Ed. Paulinas

222 páginas