Intuições e caminhos do Movimento dos Cursilhos de Cristandade

Ecos da jornada de reflexão realizada em Avanca, nos 50 anos do Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC) em Portugal

O Secretariado Diocesano do MCC de Aveiro, em conjunto com o Secretariado Diocesano do Porto, organizou no dia 6 Junho, na paróquia de Avanca, uma jornada de reflexão do núcleo das dioceses do Norte de Portugal, integrada nas comemorações do 50.º aniversário do movimento em Portugal. Estiveram presentes cerca de de 550 cursilhistas.

Foram dados os seguintes temas: “Igreja e o MCC no Mundo de Hoje”, por D. António Francisco, bispo da Diocese; “A igreja e o MCC no Mundo do Trabalho”, por Margarida Gomes, da Diocese de Lamego; “Igreja e o MCC no Ambiente Sócio-Político”, por Joaquim Andrade, da Diocese do Porto.

Margarida Gomes fez uma explanação exaustiva de uma forma realista e fria dos seguintes aspectos:

a) Os que têm emprego;

b) Os que o não têm (desemprego);

c) Os que não têm emprego porque o não querem (que é a maioria);

d) Os que não têm emprego, apesar de o procurarem.

Joaquim de Andrade, fundamentado nos documentos actualizados da Igreja, deu-nos amplamente e de uma forma precisa o seu testemunho como cristão inserido no ambiente político das autarquias.

Abordou o ser humano como um cooperador de Deus, como um ser político, e realçou a actividade política entendida como dever de todos os cristãos. Encarou-a ainda como forma de voluntariado, um acto de caridade e um meio nobre de servir. Referiu, na mesma linha, valores indispensáveis no desempenho da actividade política sobretudo o Bem Comum e a Justiça Social.

D. António Francisco, na sua reflexão sábia, culta e profunda, fez uma resenha histórica do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, a partir do seu início no singular contexto social, político e religioso de Espanha, na década de 40, na Diocese de Maiorca. Focou o espírito renovador e a acção mobilizadora dos Cursilhos em Espanha, Portugal e no mundo inteiro, e realçou que o cunho vivencial, testemunhal, simples, honesto e transparente delineou o método kerigmático dos Cursilhos, que tem promovido a conversão de tantas pessoas, a par do eixo doutrinário da teologia da Graça.

Muitas das características específicas do Movimento, bem como a fidelidade e a perseverança dos cursilhistas, se devem na origem, em grande parte. ao Bispo Diocesano de Maiorca, D. Juan Hervás, apoiado por sacerdotes qualificados que intuíram o segredo e os sonhos de Deus para cada momento e para cada lugar.

Lembrou e considerou imprescindível ouvir a palavra do Papa João Paulo II, na sua homilia na Ultreia Jubilar em Roma, em 29 de Julho de 2000. O Santo Padre apela para a experiência de Cristo que os cursilhistas devem manter, centrando-se n’Ele e só assim é que é possível a Missão. Que a urgência da Missão é hoje maior que nunca, sobretudo na Europa. Que importa refazer o tecido cristão da sociedade nova, onde se encontram homens e mulheres novos transformados com Cristo. Manda-lhes ser fermento, sal da terra, luz do mundo, convidando-os ao serviço da Comunidade, ao serviço da Verdade e à força da Comunhão, para dar testemunho de irmãos e irmãs.

Alerta-os para o facto de ser rica a experiência do MCC, o que constitui um grande tesouro, mas não para ser enterrado na terra.

O D. António Francisco voltando-se para os cursilhistas da Diocese de Aveiro disse: “Sejamos farol a iluminar tempos novos e âncora da esperança para o mundo que se anuncia”.

D. António Francisco apresentou algumas das suas intuições (propostas) para o Movimento dos Cursilhos de Cristandade:

1.ª Intuição – A importância da experiência do testemunho e o carácter vivencial do exemplo. É preciso viver e testemunhar.

2.ª Intuição – É o caminho da conversão e do amor apaixonado por Cristo, seguindo o exemplo de S. Paulo.

3.ª Intuição – Dar primazia à Graça de Deus: Graça consciente, crescente e “à pressão”. O primado da Graça acima de tudo.

4.ª Intuição – Necessidade de se continuar a valorizar o método e o carisma do MCC: o valor do Grupo, das Ultreias, das Visitas ao Sacrário, Direcção Espiritual, Leitura da Palavra, Eucaristia, Sacramento da Reconciliação.

5.ª Intuição – Os sacerdotes de todas as idades têm no MCC o seu lugar e missão, tornando-se eles caminheiros junto dos leigos, após terem feito também o seu cursilho. Deverá haver da parte deles disponibilidade para ajuda ao crescimento espiritual dos leigos.

6.ª Intuição – Dar prioridade à nova evangelização. Temos que viver em formação e missão.

7.ª Intuição – Necessidade da maturidade da Fé e força da Comunhão. Que não se deixem desgastar com coisas efémeras, sendo adultos na Fé e enviados com a força da comunhão aos grupos, Ultreias, às famílias, ao Mundo e à Igreja Diocesana.

8ª Intuição – Urge recrutar cursilhistas nos grupos etários mais novos. Estender o Pré-Cursilho aos casais novos que muito precisam da sua inserção em Movimentos da Igreja.

9ª Intuição – Que os cursilhistas se sintam sempre abertos a todos os outros Movimentos da Igreja: complementaridade na diversidade de dons e carismas.

10ª Intuição – Todos são protagonistas do Pentecostes, quando começou a Igreja, em que Maria estava presente com os discípulos tímidos e vencidos pela orfandade. Foi o Espírito que lhes deu a força e lhes abriu as portas da Missão.

D. António Francisco terminou com uma referência a Nossa Senhora. Outros Pentecostes aconteceram na história da Igreja e, com os Cursilhistas em particular, num Cursilho de Cristandade. Mas não houve Pentecostes sem Maria.

A Mãe de Jesus esteve sempre presente. Ela é o Berço que embala estas intuições. Ela é a Mãe que conduzirá estes caminhos.

M.C.C.