Uma pedrada por semana Faz impressão ouvir hoje, e muito mais a pessoas que se presumem de cultas e actualizadas, coisas e opiniões de tempos passados, como se a sua cartilha fosse única e eterna. Pessoas ultrapassadas, como se nada tivesse mudado no mundo de todos.
A conversão, ou seja, a mudança para melhor, deixando para trás maus caminhos e limpando erros cometidos, deve ser o ideal de qualquer pessoa que descobriu que não é perfeita, mas está sempre a tempo de melhorar e de se aperfeiçoar e a isso se decide.
Quem do passado só guarda a memória de um lixo contaminado por glórias fáceis e misérias vividas fechou os olhos ao presente no que este tem de bom e inovador. Com olhos fechados, tudo é noite, mesmo quando o sol brilha.
O passado é memória para conservar o que não deixou de ser referência válida e séria e para apagar de vez o que tempo já julgou e condenou. É verdade que há erros que são como ervas daninhas que, mesmo arrancadas, deixam restos de raízes. É preciso estar atento.
Li há pouco num jornal estrangeiro uma pequena entrevista com uma teóloga, membro do clero calvinista suíço, que o entrevistador dizia ser pessoa de renome e prestígio. Ao falar da Igreja Católica e do ecumenismo ainda lia pela cartilha velha, como se vivêssemos no século XVI ou XVII. Para ela, nada aconteceu depois. Nem Vaticano II, nem movimento ecuménico, nem encontros inter-religiosos famosos, como o de Assis, nem viagens pastorais dos papas ao encontro de gente de todas as religiões e condições. Nada.
Mas, também, vemos políticos portugueses que continuam na década de 40, quando já estamos no século XXI. Até na Igreja, ainda há gente a ler pela velha cartilha, com medo da novidade e obstruindo o caminho à renovação e ao diálogo.
E, então, no que ficamos? Há que ajudar-nos uns aos outros a ser de hoje e a estar vivos. Porque, de ontem, já nem uma coisa, nem outra.
