Novo livro sobre as Gafanhas

Obra apresenta-se como “dicionário ilustrado” dos “regionalismos gafanhenses” para não deixar morrer certos falares e costumes

Na Biblioteca Municipal de Ílhavo decorreu a apresentação pública do livro “Língua e costumes da nossa terra”, da autoria de Maria Donzília de Jesus de Almeida e de Oliveiros Alexandrino Ferreira Louro, cerimónia “apadrinhada” pela Confraria Camoniana de Ílhavo, ainda que a obra seja edição dos autores.

Embora ambos os autores sejam naturais da Gafanha da Encarnação, o livro não se circunscreve unicamente à área geográfica daquela freguesia, mas alarga-se às terras vizinhas, perpetuando os modos de falar e costumes das Gafanhas que estão em vias de se extinguir, através da fixação por escrito desses termos linguísticos.

A essência de “Língua e costumes da nossa terra” é precisamente a fixação escrita de centenas de termos linguísticos outrora usados nas Gafanhas, nas mais diversas vertentes, desde as fainas piscatória e agrícola até à vivência doméstica, passando pela “apresentação” de utensílios, ferramentas e objectos domésticos praticamente extintos ou fora de uso. Há também a perpetuação de cantigas populares, rezas, orações, advinhas, lengalengas, jogos infantis, tradições e usos antigos. Para além disso, o livro contém ainda uma breve evolução histórica das Gafanhas. No final, e como motivo de curiosidade, surge o “rol dos confessados de 1869” referente aos lugares de Gafanha, Cale da Vila, Chave, Paredão, Forte da Barra, Prado e Cazeiros.

O livro encontra-se ilustrado com dezenas de fotografias a cores, que retratam muitos dos termos linguísticos registados na obra, bem como personagens, locais e utensílios diversos referenciados no livro, sendo como que um “dicionário ilustrado” dos “regionalismos gafanhenses”.

Cardoso Ferreira