Na Quinta dos Ervideiros “SEnda Gitana” dá passos de esperança

Em prol da Comunidade Cigana Como há tempos noticiámos, a Cáritas Diocesana de Aveiro elaborou um projecto designado por “Senda Gitana”, aliando a si vários parceiros de todas as áreas oficiais.

Os parceiros reuniram-se de novo nas instalações da Cáritas, nos Ervideiros, junto dos acampamentos, onde responsáveis da Cáritas e técnicas deram a conhecer a evolução do projecto, considerando-o muito positivo face à sua complexidade. “Ficámos surpreendidas com a adesão que houve por parte destas comunidades ao aceitarem valorizar-se no aspecto cultural ou escolar, nomeadamente ao nível de casais ciganos ou crianças abrangidas”.

Diz-se que a “colaboração de parceiros e de alguns elementos da comunidade envolvente proporcionou a realização de momentos específicos, como o ensinamento por parte de um oleiro na moldagem do barro, realização de um passeio à praia e até mesmo a actualização do boletim de vacinas das crianças inscritas”, acrescentando-se que “o facto do projecto “Senda Gitana” ter iniciado as suas actividades no terreno em meses de Verão/ férias, implicou também que em “Crescendo, Aparecendo” se promovessem, junto das crianças, com algum rigor e frequência, actividades lúdicas e atractivas necessárias nesta faixa etária.

Quer para o presidente da Cáritas em exercício, Carlos Maia, quer para as técnicas Dora Paulo, Carla Fernandes, Carla Teixeira, Sandra Mesquita, este projecto tem pernas para andar.

A Dora, há muitos anos na Cáritas, disse-nos que, efectivamente, “este Projecto é ambicioso e nele apostamos, porque os destinatários o quiseram. E a verdade é que isso reflecte-se na participação nas actividades, quer por parte dos homens e das mulheres, quer das crianças. E aos pouquinhos vamo-nos apercebendo de algumas mudanças”. Uma dessas mudanças “é a participação mais assídua das crianças na escola, como informou uma das professoras, mas também o comportamento de algumas mulheres, na questão do cuidar dos filhos e acima de tudo de começar a dar importância a questões como a higiene, a saúde.

“Uma questão que nos surpreendeu, — sublinha a Dora — é que são as mulheres que estão a puxar os homens para as actividades. Ora isso dizia-se que ia contra todas as regras, o que não está a acontecer neste projecto. Eu julgo que isto também se verificou porque o projecto teve essa situação em conta e caiu bem a maneira como o apresentá-mos. A festa que fizemos para eles e com eles contribuiu para o sucesso. Montamos aqui esta casa mas os técnicos também vão junto deles.”

A Carla Fernandes, mostrou-se satisfeita, apesar de andar há pouco tempo no terreno. “É estimulante trabalhar com esta gente”, diz-nos aquela jovem, enaltecendo toda a boa colaboração da equipa técnica e dos parceiros, que abraçaram este projecto. Um dado muito estimulante é o facto de 99 por cento da população destes três bairros se integrar nesta acção, ou porque tem os filhos nele inseridos ou pelo desejo de valorização do casal ou de outros familiares.

No decurso da apresentação, em que estiveram presentes representantes dos Parceiros, a vereadora Marília Martins alertou para algumas dificuldades que podem nascer nesta iniciativa, designadamente por causa da localização, onde se instalaram estes Bairros. Há que procurar solucionar legalmente.