No programa “Notas de Esperança”, D. António defende “Uma das coisas que sinto na Igreja, e na Igreja diocesana, é que muita gente, que trabalha pastoralmente e com muita generosidade, conhece pouco dos jovens. Por muitas razões: é que já não há juventude, falamos de juventudes. Esta evolução de mentalidade, influências, de referências dos próprios jovens é cada vez maior”.
Esta uma das muitas afirmações que o nosso bispo, D. António Marcelino, proferiu, na entrevista que concedeu ao programa “Notas de Esperança” este domingo, 5 de Outubro, na Rádio Terra Nova.
Estando no terreno a caminhada em dinâmica sinodal sobre os jovens, que irá marcar este ano pastoral, impunha-se ouvir o pastor da Diocese sobre este assunto.
Ouvir os jovens
Nesta fase inicial, está preparado o inquérito a realizar em toda a Diocese pois “hoje, conhecer os jovens é ir onde eles estão, é isso que pretendemos” recordou o D. António. “É como diz o Papa na Carta da Europa: com a nossa inteligência, com o nosso coração, ir até eles e deixá-los falar. Devemos ouvi-los mesmo nas suas incoerências”, continuou. Ora este esforço é uma obrigação de todos, principalmente dos mais velhos, “porque a geração dos mais adultos já não tem paciência para isto, tem demasiadas certezas, já não está para entrar no balanço que exige hoje a vida”, concluiu.
Se é certo que os jovens, hoje, andam “no vendaval”, não marcando presença em encontros para a defesa dos seus interesses, nas RGA’s, por exemplo, também é certo que, na dimensão pessoa a pessoa, os jovens ouvem. Por isso não devemos ficar pelas aparências. “Mesmo quando os encontramos empenhados nas próprias paróquias, eles não são bons segundo o esquema que o padre ou o leigo têm na sua própria cabeça. Esse esquema já não pega para eles. Mas teimamos em classificá-los: ‘Ah! eles são bons, a maior parte até vai à missa’. A referência da missa é a referência da bondade, quando na realidade alguns deles estão a fazer uma caminhada mais séria, mas ainda não vão à missa, ainda não chegaram à Eucaristia”, sublinhou.
Palavra de ordem: Conhecer!
Assim, nesta caminhada, é necessário estar aberto ao conhecimento dos jovens: “Como o projecto é conhecer, eu tomo mais uma atitude de procura, do que propriamente uma atitude de que ‘Já sei!’. E enquanto a Igreja não tiver mais uma atitude de procura, não creio que vamos muito longe, nem com os jovens, nem com os outros” por isso, “o grande compromisso que queremos agora é o da Igreja em relação a eles – dos padres, do Bispo, dos educadores, dos pais: que se sintam comprometidos neste conhecimento, nesta paciência para ouvir, nesta compreensão de aceitar os erros e disparates, porque isso faz parte do próprio conhecimento” afirmou o nosso bispo.
Caminhada: com todos os jovens
Quanto à Carta da Conferência Episcopal Portuguesa “Solidariedade para o bem comum”, D. António Marcelino referiu que gostaria que houvesse um grupo de jovens que lesse a carta, que reflectisse sobre ela e que fizesse a sua própria crítica: “Aí é que eu me interrogava se há ainda sensibilidade na gente nova para saber um pouco o que é a Igreja” disse. Mas o tom de desafio do nosso Bispo não ficou por aqui. Pensando neste novo ano pastoral e nos jovens a envolver nesta caminhada afirmou: “Não gostaria que fossem apenas os grupos paroquiais, os grupos dos movimentos a reflectir na nossa própria caminhada, sobretudo quando pensamos numa intervenção social e em preparar para uma vida que tem de cultivar determinado tipo de valores”.
