A homenagem do jornalista Homens sede Homens. Cuba abre-te ao mundo, Mundo abre-te a Cuba!
São estas duas premissas que eu quereria questionar, reflectir, como homem dos media nesta data histórica de um papado que ficará na história.
Em missão-serviço-jornalismo, eu gostaria de partilhar estas duas grandes frases que marcam vidas, sociedades.
Debaixo de uma azinheira eu vi, ouvi em terras de Fáti-ma, um Paulo VI a proclamar, com os olhos da Nação de então a ouvi-lo de uma janela e os lenços brancos a esvoaçarem, respondendo ao clamor-desafio: HOMENS, SEDE HOMENS!
Depois seguiram-se outras posições, outros clamores de um Papa Peregrino.
Não há palavras que definam estes 25 anos de um Papa que apaixonou o mundo em todos os quadrantes!
Tive a sorte de, como jornalista, estar com João Paulo II umas três vezes em circuns-tâncias muito específicas que me dizem muito ao meu modo de ser. Fiz a cobertura jornalística para dois grandes diários de então, do Sínodo dos Bispos, em 1987. Vivi ali, em Roma, durante mais de quinze dias, momentos altos. Fiquei a conhecer um pouco os meandros do Vaticano, a sua sabedoria, as suas virtudes, mas, também, algumas mazelas burocráticas, tradicionalismos, de antanho. No final fiquei um tanto desa-pontado por não haver uma recepção aos homens que ali lutaram para conseguirem algo de um Papa. Não desisti, como não desisto em circunstância alguma, e ali mesmo escrevi, na véspera de partir, uma carta ao Santo Padre, e metia-a, eu mesmo, na caixa do Vaticano. Era difícil já atender ao meu pedido, (isso mesmo me foi dito) mas passados uns dias, recebia do Vaticano, via Secretaria de Estado, uma cativante, carinhosa carta que me foi entregue por D. Manuel de Almeida Trindade, então Bispo desta Diocese, ao mesmo tempo que me perguntava, também carinhosamente: Daniel, que andaste a fazer por lá?! O Santo Padre pelas vias hierárquicas dava razão ao jornalista afirmando-me que posteriormente o caso por mim apresentado iria ser tomado em consideração. Felicitava-me pela intervenção e mandou-me a bênção para mim, Família e classe. Nada pedi para mim, apenas para os jornalistas. Guardo, religiosamente, essa carta no meu livro de Horas.
Se partilho isto é para assinalar que a este Papa nada lhe passa despercebido, vencendo muitas vezes barreiras de burocracias. João Paulo II continua a abarcar o mundo com uma atenção muito especial para os que mais precisam.
A segunda vez que estive bem de perto com o Santo Padre foi na peregrinação do mundo cigano ao Vaticano, festejando, efusivamente, o cigano Zeferino. Aí eu pude, bem de perto, na concelebração, auscultar o coração de um homem, de um sucessor do Pescador Pedro. Que emoção senti!…
Passados poucos anos, muito recentemente, tive a dita de o acompanhar a Cuba, País misterioso, para onde os olhos continuam virados. Foram muitos os testemunhos de admiração que recebi dessa gente tão simpática, muito em especial nos bairros onde, clandestinamente, me fui metendo. Aquelas palavras que ouvimos da sua boca, ali em terras de Fidel de Castro e seus seguidores, foram sons que ecoaram por aquelas ter-ras: CUBA, ABRE-TE AO MUNDO. MUNDO, ABRE-TE A CUBA!
Se o “homens, sede homens… de há trinta anos, de Paulo VI me tocaram, estes apelos de João Paulo II,em terras cubanas, mais me marcaram e não posso deixar de as testemunhar em qualquer lugar, porque o jornalista deve sê-lo em todo o momento, em cada canto do universo.
Obrigado, João Paulo II, pelo bem que fizeste e fazes aos mais pobres, a todos…
Recentemente, por terras da Hungria, em serviço de missão e em serviço para o nosso jornal e outros órgãos da CS, na rota dos ciganos, eu aquilatei o bem deste Papa por todo o mundo. Já perto da Croácia dormi numa residencial social e por todos os cantos e livros lá estava o carimbo a assinalar a passagem deste Pastor do Século XX e dealbar do XXI.
Como cristão e como ho-mem da Comunicação eu louvo, nesta hora, o Deus do Universo, o Pai de todos, por tudo o que se fez neste quarto de século…
