Celebração ortodoxa na fraternidade cristã-humana

Na Cadeia CRISTO NASCEU!

“Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador que é o Cristo-Senhor”

(Lc. 2, 10-11)

Na cadeia, onde se comemorou o Nascimento do Menino Salvador da Humanidade, em vários dias em tempo litúrgico católico, os ortodoxos não foram esquecidos em cerimónia celebrativa de Natal.

Doze detidos, quase todos jovens, dos mais diversos países de Leste, que para Portugal vieram à procura de algo mais que lhes poderiam dar os seus países, tiveram o seu momento de reflexão, de recordação, do que foram vivendo lá nas suas terras ou do que os pais lhes incutiram, mesmo em tempos de perseguição à Igreja ou ideológica, em tempo de cortinas de ferro…

A celebração foi promovida pelo Pároco da Glória e Capelão do Estabelecimento Prisional, Padre João Gonçalves. Participaram também Visitadores da Cadeia e a Presidente da Associação aos Emigrantes de São Bernardo, Drªa Lyudmila Bila, também ela Ortodoxa e a Assistente Social do CLAI da Vera Cruz, Rosária Almeida.

As leituras, proclamadas em língua russa, de São Lucas, do dia de Natal, foram partilhadas também em russo e em Português pelo Capelão João Gonçalves.

Um momento bem vivido por aqueles jovens que ali permanecem em prisão preventiva com tempo ainda sem luz no fim do túnel, um túnel de odisseia à procura de melhores dias.

Seria esta temática e outras que, depois, em mesa redonda, viriam a ser dissecadas com um apelo veemente dos 12 jovens – adultos a pedirem a intervenção solidária para lhes ajudarem a resolver os problema. Neste diálogo entraram a responsável pela Associação de São Bernardo e uma Técnica do CLAI, da Vera Cruz. Prisão preventiva morosa, sem fim à vista, carência de advogados que lhes tratem, efectivamente, os seus problemas, foram algumas das questões evocadas perante responsáveis educativos, sociais daquele estabelecimento e das duas organizações de Apoio ao Imigrante.

Na confraternização natalícia, um lanche, estiveram também presentes guardas, chefes, agentes assistentes sociais, guardas, e o Director e Adjunto.

O Director, tal como o fez o Capelão, saudou aqueles homens e desejou-lhes um ano mais feliz e que os seus desejos se apressem a concretizar, aqui bem longe das suas terras, dos seus familiares, por quem nutrem uma saudade bem impressa nas suas caras.

Uma celebração, que podíamos cognominar de ecuménica, serviu para que, mesmo na cadeia, haja Natal.