Cardeal Ratzinger entre Timor e o Segredo de Fátima

Memória CV – Há 9 anos Como Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger ocupava necessariamente um lugar de destaque. Era o terceiro na hierarquia da Igreja, depois do Papa e do Secretário de Estado da Santa Sé.

No dia 13 de Outubro de 1996, Ratzinger veio a Fáti-ma, na chamada “Peregrinação Internacional Aniversá-ria”, que reuniu cerca de 250 mil peregrinos no Santuário e atraiu uma imensidão de jornalistas. O Correio do Vou-ga também lá esteve e deu notícia na edição de 16-10-1996.

Num artigo assinado por Daniel Rodrigues, refere-se que o Cardeal Ratzinger fez uma homilia sobre as Bodas de Caná (ver excerto dessa homilia na última página), muito apreciada por D. Duarte de Bragança e D. Isabel Herédia, que sublinhou ao jornalista do CV que era a primeira vez que ia a Fátima “como mãe”. Mas o grande tema da ocasião foi o Terceiro Segredo de Fátima. Disse o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé que “o Segredo de Fátima não revela nenhuma tragédia futura para a humanidade” e não “tem nada de essencial para a fé”. O Segredo viria a ser revelado em Maio de 2000, com um comentário teológico deste cardeal, e foi interpretado como alusão ao atentado de João Paulo II e à perseguição dos cristãos ao longo do séc. XX.

Em Outubro de 1996, outro assunto estava em foco. D. Ximenes Belo e Ramos-Horta haviam sido designados “Prémio Nobel da Paz”, no dia 11 de Outubro desse ano. Interrogado pelos jornalistas sobre se o Vaticano era pró-Indonésia, o Cardeal responde: “Não é verdade. [O Vaticano] está no equilíbrio, porque é uma situação muito complexa”.