Decorreram em Fátima, por iniciativa da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, umas jornadas sobre “As Religiões e a Paz”. Tema importante para os que trabalham nos jornais e revistas de inspiração católica, ou não precisassem todos de reflectir sobre o que (não) fazem no dia-a-dia, na procura da melhor informação para a melhor formação dos seus leitores, sem nunca esquecerem que têm de estar inseridos no mundo e não fechados nas sacristias com vistas para o adro da igreja.
O que acontece é que a comunicação na Igreja Católica tem sido tremendamente difícil, quer por falta de sensibilidade para a importância dos média na vida das pessoas, quer por falta de tempo dos agentes pastorais com responsabilidades nas comunidades, quer, ainda, por falta de estruturas capazes de responderem, de pronto, às necessidades dos jornalistas, entre outras razões.
Na semana da 3ª visita do Papa à Eslováquia, por exemplo, o Correio do Vouga procurou fontes, por todos os meios possíveis, donde pudesse beber a informação correcta para redigir um simples texto. Nas agências noticiosas, inclusive nas ligadas à Igreja, houve um certo silêncio sobre o que disse o Santo Padre na sua viagem. Uma ou outra informação desgarrada, uma ou outra foto sem qualidade e só à última hora conseguimos, num “site” brasileiro, algumas referências à viagem, embora incompletas.
Na Igreja Católica, a nível de informação, quase tudo fecha aos fins-de-semana, com uma indiferença impressionante pelas exigências da comunicação social de âmbito regional (que é o nosso caso), sempre à espera (quando está, é certo) das notas informativas relativas aos acontecimentos que têm lugar aos sábados e domingos, dias mais normais para a sua realização.
Outra coisa que também nos choca é a superior indiferença de algumas estruturas eclesiais, quando lhes solicitamos elementos para a elaboração de textos alusivos a eventos de alguma importância no País. Muitas, nem resposta dão.
A comunicação dentro da Igreja e entre esta e o mundo precisa mesmo de dar uma volta de 180 graus. Se isto não acontecer, ficaremos tristemente de lado a ver a carruagem passar
Tudo quanto dissermos e fizermos pela divulgação da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, publicada recentemente (ver página 8), não será de mais. Por isso, esta referência neste espaço, na esperança de que os nossos leitores se sintam motivados para a sua leitura e para a reflexão que se impõe.
A oportunidade do documento que os bispos portugueses oferecem a todos os católicos e homens e mulheres de boa vontade que lutam por um Portugal melhor, as denúncias que fazem e os desafios que nos lançam a todos, enquanto comunidade nacional, e a cada um dos que se não resignam a aceitar o “statu quo” de uma sociedade injusta, é por demais evidente.
Mal vai o País, porém, se ficarmos, como tantas vezes acontece, indiferentes a esta extraordinária Carta e se a fecharmos numa qualquer gaveta para que a história dos homens de hoje a ignore, hipotecando o futuro. Dizemos isto sem alarmistas, mas com a convicção de que este documento tem de estar presente nos projectos pastorais futuros da Igreja Católica e da comunidade civil. Isto porque temos mesmo que erradicar os pecados sociais que a CEP nos mostra, implementando, simultaneamente, os sinais de participação solidária que existem, graças a Deus, entre nós.
