Onde nasceu o bispo D. João Evangelista de Lima Vidal A casa onde nasceu o bispo D. João Evangelista de Lima Vidal, construída na primeira metade do século XVII, poderá dar lugar a um novo imóvel, cujo projecto está a ser elaborado pelo arquitecto aveirense Pompílio Souto.
O arquitecto entregou, na Câmara Municipal de Aveiro, um estudo prévio com as ideias gerais do que está a ser projectado para o local, estando agora a aguardar a resposta para saber se haverá eventuais condicionalismos e, se os houver, se eles poderão ser integrados no projecto, de modo a que o resultado final seja um imóvel com qualidade estética e arquitectónica.
Para Pompílio Souto, a preservação de fachadas antigas para posterior integração em imóveis novos normalmente não resulta bem sob o ponto de vista estético
Neste momento, no que se refere à casa onde nasceu D. João Evangelista de Lima Vidal, ainda se está numa fase preliminar, de estudo prévio, e a aguardar o parecer da câmara municipal.
Sobre este caso concreto, o vereador da cultura avei-rense, Manuel Ferreira Rodrigues, considera que “a câmara pode fazer alguma coisa, mas a comunicação social e a própria população também devem fazer alguma coisa, porque estamos perante uma situação em que vários poderes se podem exercer. Em primeiro, devemos todos fazer um apelo para que o promotor da obra tenha em conta a antiguidade desta casa; segundo, tenha em conta o facto de nela ter vivido D. João Evangelista de Lima Vidal; terceiro, fazermos um grande apelo para que o arquitecto da nova construção tenha consciência do que tem pela frente. Nós, na câmara, iremos fazer tudo para permitir que esse património não seja delapidado, como tem acontecido, algumas vezes, em Aveiro”.
Manter a fachada é uma hipótese, mas o autarca realça que “cabe ao arquitecto estudar a melhor solução para integrar a fachada do edifício no novo conjunto a construir”.
Manuel Ferreira Rodrigues deseja que “haja um cuidado especial com aquilo que nos pertence, para não destruirmos aquilo que é único, que é belo, e ainda por cima uma casa do século dezassete”.
Amaro Neves defende preservação da casa
Já o historiador Amaro Neves afirma que a destruição desta casa será uma “grande perda para a cidade, porque aquela casa ainda é uma boa marca da rua da “calçada real” que atravessava Aveiro e cujo caminho estava bem marcado com edifícios que tinham a ver com a época natural dessa estrada régia”. Refere, também, que “um edifício do século XVII no património de Aveiro é sempre importante para o entendimento da sua história”.
Amaro Neves sublinha que, “se não houver melhor solução, ao menos que se mantenha a fachada, porque mesmo assim ainda seria uma referência”. Mas, como nessa casa nasceu um dos grandes vultos da história aveirense, o bispo da restauração da diocese, “pode haver uma mais-valia na história da casa. Independentemente da sua concepção arquitectónica, neste caso há também a história da casa”.
Por tudo isso, para este historiador de arte “há todo um conjunto de legislação própria que pode evitar a destruição desta casa. A grande maioria das casas antigas são propriedade particular; o Estado e a administração pública não comporta todos esses edifícios, mas há regras próprias para proteger o património. E eu penso que há motivos muito fortes para se manter um edifício com esta história em Aveiro; e a administração deve encontrar as formas para manter essa história”.
