4º Domingo do Tempo Comum – Ano C

À Luz da Palavra Os textos bíblicos, apesar de escritos há muitos séculos, têm a força de nos “falar” hoje a nós, mulheres e homens do século XXI. Assim, a palavra da liturgia deste domingo faz-nos um apelo a recordarmos e a aviventarmos a nossa vocação baptismal de “profeta”, como participação na missão de Jesus Cristo. Olhando para o que os textos bíblicos nos narram sobre as dificuldades que tiveram aqueles e aquelas a quem Deus confiou a missão de profeta podemos sentir-nos iluminados e fortalecidos na nossa própria vocação cristã.

O profeta Jeremias, na primeira leitura, dá-nos a conhecer a maravilha do amor de Deus, que o chama à vocação profética, ainda antes de ser concebido no seio de sua mãe. E ele deixou-se escolher e enviar pelo Senhor, cheio de coragem, porque sabia que a força de Deus estava com Ele. Na verdade, Jeremias passou por muitas dificuldades e perseguições, ao ser porta-voz de Deus para o seu povo, mas sentia-se de tal forma “invadido” por Deus e apaixonado pela sua palavra, que conseguiu viver até ao fim em total fidelidade à sua missão.

O evangelista Lucas narra-nos o episódio da sinagoga de Nazaré, começado a ler no passado domingo, momento em que Jesus inicia o seu programa messiânico de proposta de libertação aos pobres e oprimidos. Ora, os judeus não estão interessados neste tipo de programa, porque sonham com um messias espectacular, milagreiro. Rejeitam Jesus e tentam liquidá-lo, como os seus antepassados fizeram a Jeremias. Esta rejeição leva Jesus a exclamar: “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. E, apesar das dificuldades, permanece fiel à missão que o Pai lhe confia.

Segundo Paulo, na carta que lemos na segunda leitura, só o verdadeiro amor é capaz de mover os profetas, do passado e do presente, no sentido de não calarem a sua voz, quando ela dirige aos homens e mulheres do seu tempo a verdadeira palavra de Deus. No baptismo todos fomos ungidos profetas, no seguimento de Cristo. O profeta e a profetiza são as pessoas que vivem sempre à escuta de Deus e da sua palavra e à escuta dos irmãos e irmãs neste mundo. Vivem em comunhão com Deus e sabem ler a realidade e o projecto humano e tentam perceber se este projecto está de acordo com o Deus, para denunciarem, avisarem, corrigirem. O profeta e a profetiza são pessoas cristãs, solidamente formadas, audazes, convictas. Tomam posição para defenderem a vida e a verdade, sempre que necessário, mesmo à custa de sofrimento, perseguição e marginalização.

O século vinte foi um século de profetas e de mártires, porque a vocação de profeta é de todos os tempos. Homens e mulheres sem nome, sem cultura, sem pedestal social, têm sabido dar a sua vida pela verdade evangélica. E eu? Como lido com a injustiça e com tudo aquilo que arruína a dignidade humana? A cobardia e o medo alguma vez me impediram de ser profeta ou profetiza?

Leituras do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Jr 1,4-5.17-19; Sl 70 (71); 1 Cor 12,31-13,13; Lc 4,21-30