Na discussão e análise dos mais variados temas, normalmente predomina uma enorme ignorância sobre o que pensa e prega a Igreja Católica em relação aos assuntos em causa. E isto verifica-se mesmo quando os intervenientes são ou se declaram católicos. Quais serão as razões?
É verdade que as grandes questões de âmbito religioso, espiritual e de implicações sociais têm merecido da parte da Igreja a publicação de documentos, uns de natureza mais científica, e por isso dirigidos aos especialistas, e outros mais genéricos e mais acessíveis a todos. Alguns são simplesmente ignorados, muitos caem no esquecimento e outros passam à história.
Por norma, acusam-se as estruturas eclesiais de os lerem e de os arrumarem, mas pensamos que já é tempo de os crentes os assumirem como peças fundamentais da sua formação religiosa, espiritual e humana. Se os documentos não nos são explicados ou não vêm até nós, temos nós de ir até eles, na certeza de que, sem a sua leitura, não passaremos de cristãos de missa dominical, o que, no entanto, já não seria mau, se os celebrantes alertassem, sistemática e oportunamente, o que a Igreja nos vai oferecendo para nossa edificação e formação.
Custa-nos aceitar que as comunidades não divulguem, por exemplo, as mensagens do Papa e do Bispo diocesano, que não reflictam sobre Notas e Cartas Pastorais, sobre Encíclicas e Exortações Apostólicas e, ainda, sobre tantos outros documentos, como se a vida cristã de hoje não dependesse do que pensa e diz a Igreja para os tempos actuais.
Por aqui, no Correio do Vouga, continuaremos a alertar para o que de importante se passa nesse campo. Mas é preciso que outros passem a palavra.
Os portugueses têm nos seus genes o defeito terrível de dizer mal de tudo. Critica-se, e bem, o que não se faz, e ignora-se, quase sempre, o que se lhes oferece de bom. E se, há anos, era compreensível a ignorância sobre o que se passa à nossa volta, hoje, com tanta informação, não é de aceitar o desinteresse e o alheamento do que se faz de positivo em prol da comunidade e de cada um de nós.
Vem isto a propósito do que se nos oferece a nível cultural em Aveiro e arredores, para só falarmos do que conhecemos melhor. A Universidade de Aveiro, por exemplo, desenvolve, continuamente, acções de alto nível, sem que mexa com o apetite de valorização pessoal de muita gente, como seria admissível esperar. Mais atentos ao que se passa no âmbito de entretenimentos fáceis, muitos ignoram, por sistema, projectos culturais de largo alcance, apesar de bastante difundidos pela comunicação social.
Os aveirenses, e não só, vão ser brindados com mais um festival de música (ver página 9), para bons gostos e para todas as idades. Não é, obviamente, um festival de música pimba, que terá interesse para os que não procuram exigências artísticas, mas abrange os mais diversos géneros que nos elevam, certamente, o espírito e enriquecem a nossa capacidade de compreensão da arte e do belo.
Trata-se, pois, de um festival a não perder, porque não é muito frequente termos tantas oportunidades num curto espaço de tempo, entre 12 de Março e 4 de Abril.
