Misericórdia de Aveiro tem novos Corpos Sociais

As Irmandades nasceram na Igreja para tentar contagiar

o espírito fraterno nas próprias comunidades humanas

Tomaram posse os novos Corpos Sociais da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, para o triénio de 2004-2006, acto que decorreu na igreja daquela instituição, com muita participação.

Estiveram presentes, entre outras individualidades, o Bispo da Diocese, D. António Marcelino, o director do Centro Distrital da Solidariedade e Segurança de Aveiro, dr. Jorge Campino, elementos das Mesas anteriores e assinalável presença de Irmãos que a esta causa se têm votado, ao longo dos anos, seguindo o espírito humanitário da sua fundadora.

O presidente da Assembleia-Geral, dr. Rogério Leitão, abriu a sessão e disse do sentido daquele acto, numa sociedade que se quer cada vez mais humana. Na mesma linha se pronunciou o provedor cessante, dr. Amaro Neves, evidenciando todo um esforço que se fez durante dois mandatos.

De seguida houve a transmissão de poderes, assumindo a presidência o dr. José Girão Pereira, como presidente da Assembleia-Geral.

O novo provedor, eng. António Heleno Martins Canas, fez uma síntese do que foi a actividade das duas anteriores gerências, afirmando que se iria continuar todo um projecto que, no seu entender, foi e é muito válido, anunciando outras iniciativas que se concretizarão com o apoio de todos.

Do que se fez, António Canas enumerou alguns dos empreendimentos.

A acção bem activa passou pela criação de várias publicações; criou-se o Núcleo Museológico e a Oficina de Restauro; e organizou-se o arquivo histórico. Nestes mandatos recuperou-se a Casa de Esgueira e iniciou-se a da Casa Velha da Quinta da Moita. Foram recebidas várias doações no valor de mais de 100 mil euros.

Quanto a projectos o novo Provedor António Canas anunciou, entre outros, a Recuperação da Casa do Seixal e do solar de Sarrazola, com a finalidade de conseguirem novos espaços na área da acção social. A continuação da valorização da Quinta da Moita, onde está instalado o grande Centro Social com várias valências humanitárias, também está nos planos do novo provedor.

Para António Canas, a defesa e valorização do património monumental e artístico continuará a ser aposta da Mesa a que preside e procurar-se-á, no âmbito do voluntariado, em articulação com a AMA — Amigos da Misericórdia de Aveiro.

Presidências: Assembleia-geral: dr. José Girão Pereira; Conselho Fiscal: eng. Vitor José Pedrosa da Silva e Mesa Administrativa: eng. António Heleno Martins Canas.

Bispo de Aveiro:

Irmandades nascem na Igreja para criarem fraternidade

D. António Marcelino, que presidiu à celebração Eucarística, depois da transmissão de poderes, concelebrada também pelo capelão Padre Manuel Teixeira e pelo Padre João Paulo, agradeceu todo o bem que a Misericórdia tem feito à Comunidade Aveirense. “O Projecto de Deus é que todos sejam Seus filhos, irmãos uns dos outros, sem distinções, criando-se todo um mundo de solidariedade, de ajuda destas e de outras instituições. Estamos numa sociedade em que muitas pessoas perderam o sentido da vida e é também junto destes que as instituições, nomeadamente as Misericórdias, tem de agir, porque não se pode continuar em situações de muita gente a perder o sentido da vida, o culto da vida, o custo da vida e reencontrarem-no quando se sentiram amados, acolhidos, atendidos. Dou graças a Deus por encontrar ainda tanta gente, como vós, que agora fizestes o compromisso, que se compromete no serviço aos irmãos, aos que mais precisam” — disse D. António. Fez um apelo a que os Irmãos e Irmandade promovam a fraternidade entre todos, porque assim se está também a promover a comunidade que muito espera de vós. “As irmandades nasceram no seio da Igreja para tentar contagiar o espírito fraterno nas próprias comunidades humanas”, referiu.