Mundo pagão e cristãos dentro dos templos

Catequeses Quaresmais – 2 “Nem a doença é impossibilidade para a vida apostólica”

Somos de uma Igreja que já despertou para o apostolado, mas ainda vivemos num mundo pagão com cristãos dentro dos templos, afirmou D. António Marcelino em mais uma catequese quaresmal que apresentou na segunda-feira, no Salão de S. Domingos, para dezenas de fiéis que buscam, neste tempo de preparação para a Páscoa, um sentido diferente para as suas vidas.

Subordinada ao tema “A missão do cristão na Igreja e na sociedade é um dom e um dever permanente”, esta catequese, como as demais, teve como objectivo, não a discussão de questões teológicas, mas a conversão de cada um dos presentes para o espírito e dever apostólicos. Nessa linha, o nosso bispo sublinhou que estar em missão “é contagiar os que nos rodeiam”, respondendo ao chamamento de Deus e servindo os irmãos.

Confirmando que a Palavra de Deus é o melhor “alimento” para a Quaresma, D. António frisou que a oração, a vivência comunitária e a formação também nos ajudam a fortalecer o espírito de missão, sendo certo que “nem a doença é impossibilidade para a vida apostólica”. Disse que o apostolado começa em casa e que as nossas omissões, a esse como a outros níveis, “tornam mais pesada a cruz dos outros”.

Ao lembrar que o cristão consciente é alguém que está sempre em missão, encontrando maneira de estar continuamente presente e actuante no mundo, o nosso bispo recordou que a Igreja tem o dever de ajudar todos a abrirem-se à graça e à responsabilidade de viver na coerência dos dons recebidos. Assim, se as comunidades eclesiais não atribuírem tarefas aos que recebem o sacramento do crisma, perde-se toda uma catequese de vários anos.

Nesta segunda catequese quaresmal, D. António Marcelino fez um pouco de história, trazendo à memória de muitos dos presentes os tempos em que as responsabilidades de evangelização pertenciam apenas aos bispos, aos padres e aos missionários. Aos leigos, apenas se pedia que cumprissem os Mandamentos e os preceitos da Igreja, referiu.

Fomentavam-se vocações para o sacerdócio, para a vida religiosa e missionária, “não, porém, para o apostolado laical na comunidade paroquial”. As associações existentes tinham, sobretudo, preocupações espirituais, materiais e de culto, e foi a Acção Católica, “uma grande escola”, que veio abrir horizontes de dimensão apostólica aos leigos, “servindo de fermento novo em muitas paróquias”.

O nosso bispo falou depois do Vaticano II, “que acordou os leigos para o apostolado, para a sua missão de cristãos activos, para os trabalhos da comunidade e para a presença comprometida nas estruturas sociais”. Os leigos passam então, com o Código do Direito Canónico, a ter direitos e deveres, o que trouxe à superfície, do tempo e da vida das pessoas e da Igreja, “as riquezas da Revelação, o testemunho dos Apóstolos, a situação e os apelos da humanidade na sua relação com o projecto salvador de Deus”.

Carismas, vocações, ministérios e serviços numa Igreja-Comunhão projectaram nas comunidades e na sociedade a consciência do direito e do dever apostólicos, multiplicando-se, ao mesmo tempo, os Movimentos laicais que ajudaram a entender “o apostolado, não como tarefa de alguns, a pedido ou por devoção, mas como dom e dever de todos os baptizados, membros da Igreja”.

F.M.