Partilhando Será que temos futuro? A sala quase se calou e a mesa da Associação dos imigrantes de São Bernardo também ela ficou à espera de acalmar as ondas da incerteza que ainda proliferam no universo da imigração.
É que os exemplos de desconfiança nascem, muitas vezes, de ambiguidades neste complexo processo. O Governo eleito vai dizendo que os imigrantes têm de ser tratados como trataram os nossos emigrantes. Mas pelo meio vão aparecendo vozes discordantes, (ver caixilho) discretas, camufladas ou, o que é pior, inoportunas, de falta de solidariedade. As portas aos imigrantes não se podem fechar. Somos europeus, somos hospitaleiros e é preciso que, num país profundamente cristão, o Evangelho seja pão e os sete pecados de que nos falam os nossos bispos não sejam aumentados de sete para oito ou mais. Há dislates imperdoáveis. Portugal não pode querer voltar aos tempos de fugas clandestinas para outros mundos. Portugal tem de se assumir, custe a quem custar, e não denegrir a sua imagem, e saber estar numa Europa civilizada que não olhe (e só) o seu umbigo, mas olhe o homem todo. O pecado mais forte, o pecado “ mortal” é o egoísmo, são as catacumbas subterrâneas em que se move, movimenta; é não se abster de dormir num colchão de estopa para dormir, não sabemos onde e como, como alguns políticos de proa de antanho faziam.
Há dias morreu a empregada do Dr. Salazar, num lar, em Lisboa. Os jornais em duas linhas assinalaram o evento e fizeram revelações transmitidas por essa Senhora: “O Sr. Dr. Salazar quando ia a Santa Comba ainda dormia em lençóis de estopa”. Seria neces-sário?! Fica apenas o testemunho sem qualquer lauda ou incriminação a António de Oliveira Salazar. Hoje já não há necessidade de dormir na estopa, mas há necessidade de nos interrogarmos porque é que muitos comem leitão, lagosta e não sabemos mais o quê, e outros vão morrendo à míngua de tudo, mesmo nesta terra de Santa Maria. É de pensar como vai a nossa solidariedade cristã ou filantrópica! É!…
Os paradoxos!
* Segundo informa o Público de sexta-feira passada o secretário de Estado adjunto do ministro da Presidência, responsável pela integração dos imigrantes, acredita que a imigração é boa para o país. Até final do ano poderão mesmo ser legalizados mais de 60 ou 70 mil estrangeiros, uma vez que o Governo pretende regularizar a situação de todos os trabalhadores estrangeiros ilegais que já descontaram para a segurança social e têm impostos em dia…
Na mesmo matutino, e na página anterior, este jornal refere textualmente palavras de Paulo Portas: “Perante um país que tem dificuldades financeiras e o desemprego a subir “a preocupação deve ser a de “dar trabalho aos portugueses em primeiro lugar” e reduzir ao mínimo a quota de imigração…”
Sem comentários porque evidentes quando os parceiros não se entendem em sector tão importante…
O meu ecrã
Já não há maná no Distrito de Aveiro?
Tantas laudas que te cantaram, Distrito de Aveiro, como torrão onde caía leite e mel! E agora como vais estando! Os diamantes estão em alguns, em alguns que sabem fazer escavações, ir ao fundo, correr todos os corredores do Poder, enquanto outros vão chorando e gemendo porque o seu ganha-pão lhes vai faltando.
Não queríamos acreditar, mas os media disseram, proclamaram-no e nós ainda somos dos que vamos acreditando nos jornalistas que vivem da profissão e para a profissão e em… missão, por isso capazes de denunciar verdades como punhos, embora, muitos deles corram perigos. Corram! Alguns pior do que no antes do 25 de Abril!
Será certo que, no Distrito de Aveiro, apenas num ano, o desemprego tenha subido em flecha, duplicando, simplesmente, como referem as estatísticas?! É de pensar e todos reflectirem, entidades governamentais, autarquias, oposição (as várias) porque acontece tudo isto numa região que em poder económico era o terceiro e primeiro per capita!
As estruturas de peso vão-se esvaziando e os deputados de antanho e os de agora vão-se ficando calados, acomodados, em pantufas, a comer ovos moles!…
D.R.
