Chegou a hora do Panteão Segundo dizem os técnicos em artes e oficios, a igreja matriz da Trofa é o único Monumento Nacional do concelho de Águeda, classificado pelo IPPAR-Instituto Português do Património Arqueológico.
No entanto, este monumento, tão publicitado em muitas artérias da região, designadamente no IP 5, e muito bem, entrou já há muito tempo em degradação. E como o dinheiro vai rareando, muitas das obras vão ficando para trás à espera de melhores dias. Assim teria acontecido com este Monumento da comunidade da Trofa, das gentes de Águeda e do País. Porém, há gente responsável que ainda vai estando atenta.
Sabemos que técnicos daquele Instituto estiveram naquela localidade, sobranceira ao Vouga, inteirando-se, mais uma vez, da necessidade de arrancar com as obras naquele monumento. Alguém nos disse que agora sim, é que o projecto vai mesmo para a frente. Assim se espera, protegendo-se o património arquitectónico.
Dentro do templo, encontra-se o túmulo de Duarte de Lemos, 3º senhor da Trofa, com a sua estátua orante em tamanho natural, que Virgílio Correia considerou “ser uma das obras mais belas da nossa galeria de retratos plásticos (ver síntese histórica em caixilho).
O IPPAR reconhece aquele Panteão de muito valor, causando espécie, como é que este valor arquitectónico, do concelho de Águeda, tivesse chegado ao estado em que se encontra. Mas mais vale tarde que nunca e para a igreja matriz da Trofa do Vouga terá chegado a sua hora, como há-de chegar para os 54 imóveis classificados na Região Centro, segundo o responsável da Direcção Regional.
Este passo será decisivo, não só para preservar um templo comunitário, mas, também, para toda uma obra projectada na zona envolvente. Como se sabe as obras classificadas podem impedir, pelo menos temporariamente, empreendimentos complementares, como terá sido o caso. O povo queixa-se que foram prejudicadas as obras envolventes, do largo do templo, que custaram mais de 220 mil euros, não permitindo espaços para estacionamento de carros e outras estruturas necessárias ao bom funcionamento de uma comunidade.
Como terá chegado a hora, vamos ter esperanças em melhores dias, porque a generosidade pela arte, religião ou social, por um património, não se pode travar.
Síntese de um Panteão
Segundo reza a história (ver Enciclopédia Luso Brasileira), Trofa (do Vouga) é uma freguesia do concelho e comarca de Águeda, Distrito de Aveiro, Relação de Coimbra, com orago de São Salvador. Antigamente era sua grande força de indústria o fabrico de pregos e tachas para calçado que exportava em larga escala. Hoje tudo avançou noutras actividades… Localidade antiquíssima, porventura, muito antes da Nacionalidade, foi um lugar do concelho do Vouga até ao século XV. Doada a Gomes Martins de Lemos em 1449, tornou-se um valor museológico histórico. Nesta progresiva freguesia está o Panteão da familia Lemos com os túmulos dos senhores da Trofa, que dão notáveis elementos para estudo da família e são preciosos documentos de arte tumular portuguesa. A igreja paroquial, no exterior, nada tem de notável; é do barroco simples, com um nicho sobre a porta, com uma imagen do Salvador, de notável execução, onde Virgílio Correia recconheceu a técnica do Salvador da célebre Ceia de Udarte ( Museu de Machado de Castro).
A capela- mór é coberta por uma abóbada de nervuras, com quatro bocetes nos fechos secundários e um maior, ao meio, com brasão dos Lemos. De um lado e outro estão os túmulos e arcas ossuárias. Do lado do Evangelho abrem-se dois arcos de volta inteira ladeados de pilastras lavrados e com impostas molduradas, assentes em colunelos, sendo as do centro geminadas… Sob o arco mais próximo do altar repousa, sobre dois labréus, a urna de 1483″.
